Resumo #8-Introdução Geral a Filosofia-Jacques Maritain (Parte 2 de 2 )

CAPÍTULO SEGUNDO: DIVISÃO DA FILOSOFIA

AS GRANDES PARTES DA FILOSOFIA

O trabalho do filósofo é adquirir o saber utilizando a razão como instrumento.

O estudo da razão como meio de se chegar á verdade se chama lógica.

A lógica é uma ciência ou arte da qual a filosofia se serve, indica o meio de proceder no saber.

É a primeira disciplina que deve ser estudada,pois fornece os meios para obtenção da verdade.É necessário possuir os meios do saber em primeiro lugar.

Depois de dominar a lógica o filósofo pode aplicar-se em seu trabalho.

Podemos utilizar a razão com a única intenção de contemplar a verdade ou emprega-la tendo em vista um determinado fim prático.

Utilizando a razão somente pelo desejo de conhecer, segundo as causas primeiras chegamos a filosofia especulativa.

Caso apliquemos o uso da razão tendo em vista obter por alguma ação o bem do homem segundo as causas primeiras teremos chegado a filosofia prática,também chamada de moral ou ética.

A filosofia moral tem por objeto formal os atos humanos.A filosofia especulativa tem por objeto o ser das coisas.A lógica tem por objeto o ser de razão que dirige o espírito para a verdade.

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OS PRINCIPAIS PROBLEMAS

Nesta sessão, o autor se propõe a apresentar os principais problemas de cada ramo da filosofia.

LÓGICA

Ao iniciarmos o estudo da lógica,nos preocupamos primeiro em nos servir dela de uma maneira correta.O problema central que se coloca é o seguinte:

1)Quais são as regras que precisamos seguir para raciocinar corretamente?

Eis o principal problema da lógica menor ou formal.

Depois disso,nos preocuparíamos com sua aplicação na própria matéria na qual deve trabalhar não só de maneira correta,mas útil e eficaz,levando-nos ao próximo problema:

2)Em que condições o raciocínio não é somente correto,mas também verdadeiro e demonstrativo,e faz adquirir a ciência?

Eis é o questionamento central da Lógica maior ou material, que estuda os métodos das diversas ciências.

Outra questão que se coloca é:

3)Por que meio as coisas se tornam presentes no nosso espírito,permitindo que raciocinemos sobre elas para adquirir a ciência?

Resposta: Por meio das ideias.

As coisas se apresentam para nos por meio das ideias ou por meio de uma representação sensível.

As ideias são similitudes interna das coisas pelas quais estas nos são apresentadas de modo que possamos raciocinar sobre elas.

Ex:A ideia de um quadrado abstraído de seus determinantes qualitativos e quantitativos.

As imagens ou representações sensíveis são a similitude interna das coisas pelas quais essas mesmas coisas nos são apresentadas como nos mostram as nossas sensações.

Exemplo:Determinado quadrado com suas qualidades e quantidades próprias .

As ideias tem um caráter universal(Todos Homens),enquanto as imagens tem um caráter particular(Este homem).

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Podemos levantar agora um último questionamento:

4)Como pode ser verdadeiro o conhecimento que adquirimos pelas nossas ideias,visto que essas só nos apresentam diretamente o universal?

Três grandes escolas de pensamento se propõe a responder esta questão:

a)Nominalismo:Aquilo que nossas ideias nos apresentam sob um estado universal não existe absolutamente na realidade.

Principais defensores: Guilherme  de  Occam, Hobbes,Locke, Berkeley ,Hume , Stuart  Mill e  Spencer .

Consequência:Destrói o conhecimento o conhecimento intelectual e faz da ciência uma ficção.

b)Realismo:Aquilo que nossas ideias nos apresentam sob um estado universal existe na realidade sob este estado universal.

Principais defensores:Platão,Spinoza e Hegel.

Consequência:Torna o conhecimento sensível uma ilusão.

c)Realismo moderado:Aquilo que nossas ideias nos apresentam sob um estado universal não existe fora do espírito sob espírito sob o estado de universalidade,mas existe fora do espírito sob um estado de individualidade.

Principais defensores:Aristóteles e Santo Tomás.

Consequência:Distingue a coisa do modo de existência.Justa medida entre o nominalismo e o realismo.

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FILOSOFIA ESPECULATIVA

A filosofia especulativa estuda o próprio ser das coisas.Ela inicia seu estudo pelos seres corpóreos,que se apresentam facilmente aos nossos sentidos,passando posteriormente ao estudo do ser enquanto ser.

A palavra corpo pode ser tomada em duas diferentes acepções:

a)Corpo Matemático:Se estende em largura,comprimento e profundidade.

b)Corpo Físico:Cai sobre os nossos sentidos com tais e tais propriedades ativas e passivas.

A-Filosofia do número

O principal problema pela filosofia da matemática é o seguinte:

1)Em que consiste o objeto primeiro das matemáticas?Qual é a natureza da quantidade,da extensão e do número?

 B-Filosofia do Ser Móvel e sensível

Os principais problemas da filosofia natural são os seguintes:

1)Em que consiste o movimento?

2)Em que consiste a própria substância corpórea?

As principais correntes de pensamento que se dedicaram a pensar estas questões foram:

Mecanicismo: A substância corpórea é concebida como uma simples matéria que é identificada á extensão geométrica.

Principais proponentes: Demócrito,Epicuro,Lucrécio,Hobbes(Materialistas) e Descartes(Espiritualista).

Consequências:

a)Não existiria diferença essencial entre os corpos.

b)Inexistência de qualidade no mundo físico

c)União da matéria e espírito se tornaria ininteligível.

Dinamismo:A substância corpórea é reduzida,quer a unidades de formas puras e dos espíritos(Monadismo),quer á força ou á energia.

Principal proponente: Leibniz

Consequências: A extensão e a toda a realidade sensível não seriam mais que simples aparência.

Hilomorfismo:Toda substância corpórea é composta de duas partes substanciais complementares,uma passiva e em si mesma absolutamente indeterminada(Matéria) e outra ativa e determinante(Forma).

Principais proponentes:Aristóteles e Santo Tomás

Consequências:

a)Essa doutrina salva tanto a realidade da matéria e da extensão,quanto a realidade das qualidades.

b)Existência de uma distinção de essência entre corpos de espécies diferentes.

c)Permite compreender a união do corpo e alma no ser humano.

OS CORPOS VIVOS

Vimos acima os problemas relacionados aos corpos em geral.Agora,passaremos ao estudo dos corpos vivos.

Os corpos vivos tem a propriedade de se moverem por si mesmos,ao contrario dos corpos inorgânicos que só se movem por ação externa.

O senso comum admite uma alma,fonte da vida e do movimento destes corpos.

Os problemas centrais colocados pela Psicologia (entendida aqui como a ciência dos corpos vivos) são:

1)Quais são os primeiros princípios constitutivos do organismo vivo?

2)Problema da origem das ideias:Como explicar a presença em nós mesmos das ideias que nos servem para raciocinar sobre as coisas e pelas quais as coisas nos são apresentadas sob um estado de universalidade?

Resposta:As ideias são abstraídas dos dados sensíveis por meio do chamado intelecto agente,uma faculdade especial que ultrapassa aos sentidos.

O problema da origem das ideias é tratado por três facções:

a)Inatistas:As ideias são essencialmente diferente das sensações e das imagens e não vem dos sentidos.

Principais proponentes:Platão,Decartes e Leibniz.

b)Sensualismo:Nossas ideias vêm dos sentidos,que bastam para produzi-las,e não diferem essencialmente das imagens e das sensações.

Principais proponentes:Locke,Stuart Mill e Condillac

c)Filosofia de Aristóteles e Sto Tomás:Nossas ideias vem dos sentidos,mas pela atividade de uma faculdade espiritual e são essencialmente diferentes das sensações e das imagens.As ideias são essencialmente diferentes das sensações e das imagens,mas delas são tiradas pela atividade de uma faculdade espiritual.

Outra questão que se coloca é o problema da natureza do homem formulado nestes termos:

3)Em que consiste o ser humano?O homem possui uma alma espiritual,absolutamente diferente da dos animais?Quais são as relações desta alma com o corpo humano?

Discussão

Animismo:O homem é composto de dois princípios incompletos cada um,dos quais um (alma racional) é espiritual,e que formam uma única substancia(composto humano).

Principais proponentes:Aristóteles e Sto Tomás

Erro por deficiência:A alma humana não existe(Materialismo) ou não é cognoscível(Fenomenismo).

Erro por excesso:O homem é um espírito acidentamente unido a um corpo(Espiritualismo exagerado);a alma e o corpo são duas substâncias completas cada uma(Dualismo).

A posição adotada pelos filósofos com respeito ao problema das ideias determina sua atitude com respeito da existência do mundo corpóreo e espiritual.

As diversas posições podem ser sintetizadas em três grupos:

a)Filosofia de Aristotéles e Sto Tomás(e senso comum):

Não se pode duvidar sem cair no absurdo,nem da existência das coisas corpóreas(atestado pelos sentidos) nem da existência das coisas espirituais (demonstrada pela razão).

b)Filosofias de tendência materialista:Negação de tudo que é não material e sensível(Materialismo absoluto),ou afirmação que sua existência não é cognoscível (Materialismo fenomenista e positivismo).

c)Filosofias de tendências idealistas:Negação do mundo sensível(Idealismo absoluto),ou afirmação que sua existência não é cognoscível(Idealismo fenomenista).

C-Filosofia do Ser enquanto ser

Passaremos agora ao estudo do Ser,não mais enquanto corpóreo ou móvel ,mas simplesmente enquanto ser de modo absolutamente universal,como pode ser encontrado nas coisas puramente espirituais.

A Crítica

Antes disso, precisamos nos preocupar em estudar a relação do pensamento humano com o ser.

A crítica ou metafísica da verdade trata cientificamente sobre o que é a verdade do conhecimento,demonstrando que a obtenção do conhecimento certo é possível.

O problema central da Crítica é o seguinte:

1)Que é a verdade do conhecimento?

2)Podemos refutar aqueles que põem em dúvida a veracidade de nossas faculdades de conhecer,principalmente da inteligência ou da razão?

Respostas:

1)A verdade do conhecimento consiste na conformidade do espírito a coisa.É absurdo pôr em dúvida a veracidade de nossas faculdades de conhecer.

2)Três grupos se dividem para responder esta questão:

a)Intelectualismo moderado:Aquilo que é,é que causa a verdade de nosso espírito.A razão pode atingir,com plena certeza,as verdades mais elevadas da ordem natural,porém dificilmente e sob a condição de ser disciplinada.

Principais proponentes: Aristóteles e Sto. Tomás

b)Erro por deficiência:A razão não pode atingir a verdade,que escapa absolutamente ao homem(ceticismo),ou que dever ser procurada fora da inteligência (anti-intelectualismo).

Principais proponentes:

Céticos:Pirro,arcesilau,Carneades,Montaigne,Sánchez,Hume.

Antiintelectualistas:Rousseau,Fichte,Schoppenhaur,Bergson,William James.

c)Erro por excesso:A razão atinge facilmente,e sem ter necessidade de submeter-se a uma disciplina imposta de fora,a verdade de tudo(Racionalismo).

Principais proponentes:Descartes e Kant.

d)Síntese destes dois erros:É o espírito do homem que faz a verdade daquilo que conhece(fenômenos);e aquilo que é (a coisa em si) não é cognoscível pela razão (Críticismo ou agnosticismo kantiano).

Outra questão que se coloca é o problema do objeto da inteligência:

3)Qual é o objeto formal da inteligência,sobre o qual o conhecimento intelectual se aplica imediatamente e por si mesmo?

Resposta:O objeto formal da inteligência é o ser.Ela é feita para atingir aquilo que as coisas são independentemente de nós.

O ser como tal é inteligível;Toda coisa é inteligível na medida que é.

Ontologia

Passaremos agora ao estudo da Metafísica propriamente dita.

Trataremos do Ser enquanto ser,considerando:

a)Suas propriedades(unidade,verdade,bondade e beleza).

b)A divisão do Ser do ponto de vista:

1-Da constituição de todo ser criado(divisão do ser em potência e ato,essência e existência).

2-Das diversas espécies de seres criados(divisão do ser em substância e acidente).

Iniciaremos o estudo da Ontologia colocando a seguinte questão:

1)Quais são os objetos do pensamento que se impõem necessariamente e em primeiro lugar á inteligência quando ela se aplica ao ser como tal?Quais são os dados absolutamente primeiros da inteligência?

 

 

Essa questão comporta tríplice resposta,conforme nos colocamos no ponto de vista:

Da inteligibilidade-Ser enquanto essência.

Da existência-Ser enquanto substância.

Da ação-Ser enquanto ato.

A essência

Essência em sentido lato

Em sentido lato, essência é aquilo que tal ideia põe imediatamente ante a inteligência.É o ser considerado do ponto de vista da inteligibilidade,ou seja,enquanto pode ser simplesmente apresentado ao espírito sem afirmação nem negação(Simples apreensão.

É aquilo que em qualquer objeto é colocado imediatamente antes de tudo (Per se primo) apresentado a inteligência,id quod in aliqua re per se primo intelligitur.

A existência atual de ser não altera e essência destes.A essência faz abstração do fato do ser existir ou não atualmente.

Essência e existência

A palavra ser comporta duas acepções diferentes:A essência e a existência.

A essência designa aquilo que é ou pode ser.

A Existência designa o ato de ser,no qual o objeto é colocado fora do nada ou fora de suas causas.

 

 

Essência em sentido estrito

Essência em sentido estrito é apreensão dos objetos pela inteligência enquanto julga.

A essência em sentido lato se divide em:

a)Aquilo que:Aquilo que é propriamente uma coisa e exerce o ato de ser .É Também chamada de pessoa ou suposto.É o primeiro sujeito de existência e de ação.

  1. b) O que:O que uma coisa é em sentido estrito.

Características desta essência (o que é):

A essência de uma coisa é o que esta coisa é necessariamente e primeiramente a titulo de primeiro principio de inteligibilidade.

A essência é portanto o ser necessário e primeiro da coisa a titulo de principio primeiro de inteligibilidade.

Podemos tirar daí a conclusão que nossa inteligência pode conhecer o ser das coisas.De modo contrário,ela seria inteiramente vã e falsa.

As essências das coisas são universais no espírito.Consideradas no real se encontra em um estado de individualidade.

Porém,considerada em si mesma não é nem universal nem individual.

Natureza individual

Sendo universal no espírito,a essência é compartilhada necessariamente por uma multidão de indivíduos.

Compartilhando a mesma essência,os indivíduos estão no mesmo nível no ser primeiramente inteligível,sendo essencialmente iguais.

A diferença entre estes diversos indivíduos não podem pois,repousar na essência,sendo portanto não essenciais.

A diferença entre os vários indivíduos que compartilham uma essência comum é devida a natureza individual.

A natureza individual é o que uma coisa é necessariamente e primeiramente enquanto individual.

Esta é necessária e primeira,de modo semelhante a essência,com a diferença de não ser necessária e primeira do ponto de vista da inteligibilidade.

Esta natureza individual tem por principio a matéria-prima, indeterminada, que serve para constituir um ser, não sendo em si um ser.

A substancia e o acidente

Passaremos agora ao estudo do ser com relação à existência.

Podemos formular a questão essencial nestes termos:

1)Qual é o ser primeiramente apreendido pela inteligência,enquanto existente?

O ser apreendido pela inteligência enquanto existente são os seres individuais e concretos,providos da capacidade de existir e agir.São portanto os primeiros sujeitos de ação.

Este sujeito é um ser existente por si mesmo(per se) e em si mesmo (in se),existe como um todo e não faz parte de um outro ser ou sujeito.

A natureza de um sujeito de ação é aquilo pelo que este é apto a existir puramente e simplesmente (simpliciter).

Todavia,o ser não existe somente a esse título,ele comporta uma serie de determinações secundária que existem segundo algum ponto de vista(secundum quid).

Essas determinações acrescentam (accidere) ao sujeito.São seres de acréscimo que denominamos de acidentes.

Por oposição aos acidentes temos a noção de substância,que é o próprio sujeito de ação.

A substancia

A substancia é uma  coisa ou natureza que convém existir por si ou em razão de si mesma (per se) e não em outra coisa.

O acidente

O acidente é uma natureza ou essência a qual convém existir em outra coisa.

Os acidentes podem ser:

a)Acidentes contingentes:Podem falta no sujeito.

Ex:O ser médico,branco,brasileiro,etc…São acidentes que não são necessários ao sujeito.Podem ou não estar presentes.

b)Acidentes necessários:Que não podem faltar a determinado sujeito.

Ex:A inteligência e a vontade no ser humano.

Diversas escolas se opõem umas as outras na tentativa de solucionar o problema da substância:

a)Filosofia de Aristóteles e Santo Tomás:

Há tantas substancias quantos são os indivíduos.

Cada um deles,por sua substancia,tem o ser primeiro;há,porém,m cada um deles acidentes reais e realmente distintos da substancia.

b)Substancialistas:Não há acidentes reais e realmente distintos da substancia,que é a única realidade.(Descartes,Leibniz e Spinoza,Panteístas alemães do sec.XIX).

c)Fenomenistas:Não há substância.Os acidentes são a única realidade.(Sensualistas ingleses,Escola neocriticista).

A individualidade da substância

O ser apreendido pela inteligência pelo ponto de vista da existência é individual.

Isso ocorre porque o intelecto apreende o ser das coisas por meio das sensações e imagens,apresentando-nos as coisas em sua condição de individualidade.

A substância pode ser:

a)Substancia primeira(Substantia prima):É a substancia tomada como individual do ponto de vista da existência.É a substância propriamente dita.

b)Substância segunda(Substantia secunda): É a substancia tomada como universal,através da abstração da individualidade do ponto de vista da inteligibilidade.É a essência propriamente dita.

A substância existe em si (in se),não existe como parte de um todo,mas constitui o todo que existe,e existe em virtude de si

(per se ),sendo que por sua própria natureza que é posto na existência.

No entanto,isso não significa que seja principio absolutamente primeiro de sua existência ( a se).

O ato e a potência

Passaremos neste momento a considerar o ser do ponto de vista da ação.

A primeira verdade apreendida pela inteligência ao formar a noção de ser é que aquilo que é,é (Principio da identidade) ou que aquilo que é não pode deixar de ser ao mesmo tempo e sobre o mesmo aspecto(Princípio da contradição).

Podemos nos perguntar então :

1)O que fazem as coisas?qual é o primeiro fato da experiência apreendido pelos sentido?

SOLUÇÃO

É o fato da mudança ou do movimento.

Para que exista movimento, é necessário tem de haver a passagem de um ser ou estado de ser a outro.É preciso um sujeito que sofra a ação (terminus a quo) para se tornar aquilo outro (terminus ad quem).

O ser vem antes da mudança.Não há movimento sem um sujeito que seja movido.

Cabe agora considerar o nosso próximo problema:

2)Como o termo antigo se transforma  no termo novo?

SOLUÇÃO

O termo novo não pode vir nem do não pode vir do ser,pois este já é,nem do não não ser,que não é coisa alguma.

O termo antigo já é tudo o que ele pode ser,mas não é tudo o que pode ser.Deste modo o termo antigo ainda não é o que pode ser,mais pode sê-lo.

Deste modo,entre o ser e o não ser existe o pode ser.

Peguemos o seguinte exemplo:

Uma flecha pode estar no arco (Termo antigo),mas ela pode estar no alvo,pois tem a capacidade de estar lá.

A potência

O  conceito que expomos acima é chamado de potência pelos filósofos.

Esta noção indica que embora uma coisa está aqui (e não ali ),ela possui o poder,a capacidade de deixar de estar aqui e passar a estar lá.

No entanto, enquanto ela permanece aqui,a potencia permanece como simples poder não manifesto,porém capaz de se manifestar.

O ato

O ato é o ser no sentido próprio da palavra.É o ser acabado e determinado enquanto tal.

É o oposto de potência,ou seja o ser que é em ato,neste momento e que é potencialmente capaz de se tornar outro.

Ex:A água(em ato) tem potencialidade para se tornar gelo ou vapor.

O homem saudável (em ato) pode se tornar doente(em potência).

Em resumo:

O ser se divide em:

a)Ser propriamente dito-ATO

b)Capacidade de ser-Potência

Natureza da mudança

A mudança é a passagem da potência ao ato ou o ao de uma coisa em potência enquanto está em potência (actus exsistentis in potentia prout in potentia).

 ato e potência nas coisas

Todas as coisas mutáveis são compostas de ato e potencia.

No entanto ,em Deus  só há ato,pois,sendo absolutamente imutável é puro de toda potencialidade.

Considerações importantes

a)O conceito de matéria-prima que vimos ao estudar a natureza individual é pura potência,pois pode ser qualquer copo,não sendo por si nenhum.

Este principio potencial se une com um principio atual,a forma substancial para constituir uma substância corpórea.

b)A potência e o ato participam de todo o ser criado,quer substância ,quer acidentes.

c) Axiomas referentes ao ato e a potência:

I.A potência não pode existir em estado puro,desprovida de ato.

II.Nada é lavado da potência ao ato,senão por um ser em ato.

III.O ato vem antes da potência(Consequência do axioma anterior)

IV.A potência é essencialmente relativa ao ato e é para o ato.

V.O ato e a potência estão na mesma linha(da substancia ou do acidente).

VI.Toda coisa age na medida em que está em ato.

VII.De dois seres em ato não pode resultar alguma coisa de uno por si.

O problema do ato e potência

Três grandes escolas se dividem a respeito deste problema:

a)Intelectualismo moderado:Potência e ato nas coisas.Deus ou o ato puro é absolutamente distinto das coisas.

Principais proponentes: Aristóteles e Santo Tomás

b)Intelectualismo exagerado:Não há potência nas coisas.Tudo é absorvido seja no puro ser,seja na contradição que faz o vir-a-ser,e as coisas se confundem com Deus.

Principais proponentes:Parmênides,Spinoza,Hegel.

c)Anti-intelectualismo:Não existe ato nem ser.Tudo é absorvido na mudança ou vir-a-ser,puro e Deus confunde-se ou esta contido nas coisas.

Principais proponentes:Heráclito,Bergson.

Teodicéia

A parte mais elevada da metafísica é a Teologia natural ou Teodicéia.Esta considera a causa do ser,é a ciência de Deus enquanto acessível á razão natural ,causa das coisas e autor da ordem natural.

Problemas da Teologia natural

1)Questão da existência de Deus.

A existência de Deus não é imediatamente evidente.Ela é conhecida em virtude do raciocínio,apoiando-se sobre realidades comprovadas.

Santo Tomás demonstra em suas cinco vias a existência de Deus,chegando a conclusão que a esta se impõe a razão humana com necessidade absoluta.

2)Estabelecer o modo de conhecimento pelo qual Deus é conhecido.

3)Estudar as perfeições que decorrem de sua perfeição de ser de si(asseidade).

4)Problemas relacionados com a presciência Divina dos acontecimentos contingentes,dos atos humanos e da origem do mal no universo.

O problema do conhecimento de Deus

A doutrina de Aristóteles e São Tomás ensina que Deus é conhecido por analogia e é absolutamente distinto das coisas.

A esta doutrina se opõe dois erros opostos:

a)Panteísmo:Deus confundo com as coisas.

b)Agnosticismo:Deus incognoscível.

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FILOSOFIA PRÁTICA

As Ciências práticas tem em vista o conhecimento a fim de obter o bem do meio do homem por meio de alguma ação.

O bem pode ser:

a)Bens particulares

b)O bem em si,ou o sentido da vida humana.

 

Filosofia do ‘’Fazer’’

Nenhuma ciência prática é filosofia, visto que não regulam a ação do homem em ralação á causa mais elevada da ordem prática,que é o fim procurado que tem por razão um principio em relação ao fim último.

Também não podem ser consideradas verdadeiras ciências,pois não agem de maneira demonstrativa na busca de suas conclusões.

Convém contar então estas ciências na categoria da arte.

A finalidade da arte é dirigir uma obra a ser feita dando as regras para sua execução, de modo a garantir a perfeição ou a bondade da obra produzida.

Podemos estabelecer uma filosofia da arte ou da obra a ser feita, colocando-nos do ponto de vista dos conceitos e dos princípios mais universais,que pertencem por direito ao domínio da filosofia.

 

Principais problemas da filosofia da arte

1)Em que consiste a arte?

2)A arte é uma virtude do intelecto prático?

3)Como ela se distingue das virtudes especulativas e das virtudes morais?

4)Como classificar e dividir a arte?

5)Quais são os princípios supremos e condições próprias das belas-artes?

 

Filosofia do ‘’Agir’’

Moral ou ética é a ciência que visa alcançar o bem do homem,pura e simplesmente,tendo por objeto a bondade ou perfeição do homem faz livremente o uso das suas faculdades.É portanto a ciência do agir.

A ética considera o bem absoluto do homem,seu fim ultimo.Por esse motivo que é propriamente filosofia prática.

Pode-se dizer que ela é impropriamente prática,pois ela é especulativa em seu objeto formal(conhecimento dos atos humanos) e em seu modo de proceder.

Portanto,ela é somente capaz de dar as regras próximas aplicáveis aos atos humanos,mais é incapaz de fazer com que as apliquemos.

Principais problemas da ética

Á ética regra a conduta humana tendo por fim uma beatitude natural,que o homem só teria caso se o homem não tendesse a um fim sobrenatural.

Deste modo,fica evidente a insuficiência da ética para dirigir a ação do homem.

Precisamos então,antes de mais nada,descobrir:

1)Em que consiste fim ultimo ou bem absoluto do homem?

2)Quais os atos que fazem os homens se aproximarem ou se afastarem de seu fim último?O que são atos bons e maus?

3)Quais  são as regras supremas e imediatas destes atos?quais os seus princípios intrínsecos?

Devemos também,estudar as regras da conduta humana no que concerne:

a)Ao seu próprio bem

b)O bem de outrem- A virtude da justiça –Direito natural

c)A Deus-Questão da religião natural

Problema do fim último do homem

Novamente,três escolas se dividem para iluminar este problema:

a)Moral da beatitude ou do soberano bem:O homem é ordenado a um fim último que não é ele mesmo;Este fim último é Deus.

c)Sistemas morais que degradam o homem:O homem é ordenado a um fim último que não é ele mesmo e este gim último é algo de criado(hedonismo,epicurismo,utilitarismo,etc…)

c)Sistemas morais que divinizam o homem:O Homem é ordenado a si mesmo,ou sua própria virtude é o seu fim (estoicismo),ou porque sua bondade não depende de nenhum bem para que ele seria feito(Kantismo).

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Resumo 3#-O Ente e a Essência-Sto. Tomás de Aquino

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Sinopse*

Santo Tomás considera que todo conhecimento começa com a experiência sensível, sobre a qual podem ser desdobrados vários graus de abstração. Também o conhecimento que se tenha de Deus é conhecido a partir de seus efeitos.

 

[Proêmio]

O  ente e a essência são o que primeiro se concebe na inteligência.Deve-se primeiro definir esses termos e como estes se relacionam com o gênero,a espécie e a diferença .

O estudo Inicia-se a partir do conceito de ente,para em seguida chegar ao conceito de essência.

[Capítulo 1]

O ente pode ser tomado em duas acepções:na primeira o ente se divide nas 10 categorias do ser e acrescenta algo a coisa.Tomado nesta acepção o ente significa a substancia de alguma coisa.

Na segunda acepção, o ente representa um proposição afirmativa,sem no entanto acrescentar algo a coisa.

A essência ou quididade é inteligível ,sinônimo de forma e natureza .É a essência que determina o gênero e espécie .

 [Capítulo 2]

Analise das substâncias compostas (forma e matéria) ,a fim de posteriormente a analisar a substancia simples,constituída apenas de forma. A essência compreende forma e matéria,ou seja,o que é composto de forma e matéria,porém só a forma é a causa da essência,  e a matéria se entende como o principio da individualidade.

A matéria pode ser signada (particular e concreta) ou não signada (Universal e abstrata).

[Capítulo 3]

A definição de homem em geral e deste homem em especial só difere pelo signado e não signado, o gênero e a espécie também se diferenciam  desse modo.

[Capítulo 4]

relação entre os conceitos de essência e os de gênero ,espécie e diferença.

 [Capítulo 5]

Nesse capitulo o filósofo discorre sobre de que maneira a essência se encontra nas substancias separadas:alma,inteligência e na causa primeira.Na causa primeira a quididade é o próprio ser.

                        Diferença entre substância simples e substância composta

A substância simples possui forma ,e somente pode ser tomada no seu todo,enquanto a substância composta possui forma e materia,pondendo ser tomada no todo ou em suas partes.

 

[Capítulo 6]

A essência pode encontrar-se nas substâncias de três modos:

1) Deus,cuja essência é igual a própria existência.

2) Substâncias intelectuais e sem matéria cuja essência é diferente da própria existência.

1)Substâncias  com forma e matéria.

[Capítulo 7]

Neste capítulo Santo Tomás discorre de que maneira a essência se encontra nos acidentes.

 

*Retirado do site da editora ecclesiae.