Resumo #11-Perihermenias/De interpretatione- Aristóteles (Parte 1)

 

INTRODUÇÃO

‘’A obra contém as principais considerações da teoria Aristotélica a respeito do significado e da verdade, ponto de partida para a semântica terminista medieval.

Algumas ideias são as seguintes:

  1. Um nome (substantivo) e um verbo são requisitos necessários para fazer uma sentença (o que Boécio chama de oratio).Nem toda sentença é uma proposição (oratio enuntiativa), visto que as súplicas são sentenças,mas não formam proposição.

 

 Somente é proposição o que comporta verdade e falsidade (enuntiativa vero non omnis sed in qua verum vel falsum inest). Boécio usa apenas uma a palavra “propositio” para o que Edghill traduz como “a admissão de uma premissa”  No entanto, escritores posteriores como Ockham preferiam o termo proposição”, que é o ancestral de nossa “proposição” moderna.

2. Palavras faladas são sinais de modificações mentais (Boécio: notae passionum animae – literalmente paixões ou modificações da alma). Embora os sinais não sejam necessariamente os mesmos (ou seja, se os idiomas escritos ou falados forem diferentes), essas modificações são as mesmas em todas as pessoas (eaedem omnibus passiones animae sunt). Mais tarde desenvolveu-se a ideia, defendida por Ockham e Buridan e outros, de que as proposições faladas, isto é, as sentenças, representam proposições mentais das quais são os sinais exteriores.

3. Sinais universais são por natureza predicados de muitos. A fórmula latina universale quod in pluribus natum est praedicari,  foi repetida por escritores de tratados lógicos como Pedro da Espanha e centenas de outros desde então.

4. Uma afirmação é uma declaração de algo sobre algo (affirmatio vero est enuntiatio alicuius de aliquo), uma negação é uma declaração de algo sobre algo (negatio vero enuntiatio alicuius ab aliquo).

A formula latina reflete nitidamente o grego, onde a diferença entre uma afirmação “positiva” e negação “negativa” é expressa simplesmente por preposições.

Afirmação (kataphasis) é apophanis tinos kata tinos, (algo de algo) e negação (apophasis) é apophansis tinos apo tinos. ‘Nego’ em latim significa negar.

5 . Toda afirmação tem uma negação oposta e, do mesmo modo, toda negação tem uma  afirmação oposta (omni affirmationi est negatio opposita et omni negationi affirmatio). É a  base do conhecido  “quadrado de oposições”.

6.  A distinção entre proposições singulares e gerais.

7.  A ideia de negação de amplo escopo ou  sentença’. Aristóteles diz que uma negação deve negar exatamente o que afirma a afirmação (idem oportet negare negationem quod affirmavit affirmatio).

8. Quando se trata do que é ou do já ocorreu,A afirmação ou negação devem ser verdadeiras ou falsas. (In his ergo quae sunt et facta sunt necesse est affirmationem vel negationem veram vel falsam esse). Isso leva ao famoso quebra-cabeça que nada existe ou acontece por acaso. Qualquer coisa que aconteça amanhã, É verdadeiro dizer que acontece amanhã. Mas se verdadeiro, por exemplo, que uma batalha naval (navale bellum) acontecerá amanhã, isso sugere que isso é inevitavelmente verdadeiro, e que futuro acontecerá por necessidade.[ …]

Adaptado de ‘’ Authors/Aristotle/Perihermenias.”  – The Logic Museum, 20171 (Tradução nossa)

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

[1] Authors/Aristotle/Perihermenias.”  - The Logic Museum, 2017, www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Aristotle/perihermenias.


[2] Aristotle, Johann Theophilus ; Buhle, & Bipontina, Societas (1791). _[Aristoteles] Aristotelis Opera Omnia Graece_. Ex Typographia Societatis.



 

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Sites e links úteis

 

Apresento aos caríssimos leitores do blog alguns sites interessantes para aqueles que tem gosto ou curiosidade de aprender um pouco de filosofia.

  1. Philosophy Index

”Philosophy index é um site dedicado ao estudo da filosofia e dos filósofos. O site contém vários textos de filosofia, breves biografias e introduções a filósofos e explicações sobre vários tópicos.”

2.  The Internet Encyclopedia of Philosophy (IEP)

Fundada em 1995 para fornecer acesso aberto a informações detalhadas, acadêmicas e revisadas por pares sobre tópicos e filósofos importantes em todas as áreas da filosofia.

A Enciclopédia é gratuita e está disponível para todos os usuários da Internet em todo o mundo.

3. Stanford Encyclopedia of Philosophy

A Enciclopédia de Filosofia de Stanford organiza acadêmicos de todo o mundo em filosofia e disciplinas afins para criar e manter um trabalho de referência atualizado.

4. Logic Museum

Site dedicado a história da lógica.O site ainda está em construção, mas inclui textos on-line não disponíveis em outros lugares, links para outros históricos de sites de lógica e uma página de discussão.

5.  CORPUS THOMISTICUM

Compilado de obras de Santo Tomás de Aquino.

6. Conimbricenses

Uma plataforma digital sobre a historia da Filosofia e Teologia em Coimbra. Contém acervo de obras de autores como Pedro da Fonseca e outros.

 

Resumo #10-Isagoge-Porfírio(Parte 6)

SOBRE O ACIDENTE

Acidente é o que pode estar presente ou ausente sem a destruição do sujeito.

O acidente é divido em:

a) Acidente separável

Ex: Dormir.

b) Acidente não separável

Ex: A cor negra de um corvo. Mesmo que,por algum motivo,exista um corvo de cor branca,este poderá ser imaginado sem a corrupção do sujeito.

 

 

Definição de acidente

 

Acidente pode ser definido assim:

1) Aquilo que pode estar presente e ausente em algo.

2)O que não é nem gênero ,nem diferença,nem espécie ,nem próprio,mas é sempre inerente ao sujeito.

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

[1]  PAIVA, G. B. V. de . Tradução do texto grego de: PORPHYRIUS, Isagoge. Ed. Busse, 1887

[2] ARISTOTLE, & PACE, G. (1967). Aristotlelous Organon = Aristotelis Stagiritae peripateticorum principis organum : hoc est, libri omnes ad Logicam pertinentes, Graece et Latine. Frankfurt/Main, Minerva

[3] Authors/Porphyry/isagoge/parallel

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge/parallel

Online, 19/01/2019 às 15:46


[4] Authors/Porphyry/isagoge/

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge

Online, 29/01/2019 às 15:49

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SOBRE A DIFERENÇA

A diferença por ser dita comumente, propriamente e mais propriamente.

a) Comumente : Ocorre quando uma coisa se difere de outra devido a uma alteridade,em si ou em outra.

Ex: Sócrates difere de Platão desde modo. Sócrates criança e adulto diferem da mesma maneira.

b) Propriamente: Quando uma coisa se difere de outra em um acidente inseparável, se diz que se difere propriamente.

Ex: Acidentes inseparáveis são, por exemplo, olhos verdes e nariz adunco.

c) Mais propriamente: Se uma coisa se separa de outra devido a uma diferença especifica, se afirma que se difere mais propriamente.

Ex: O homem se difere do cavalo por uma diferença especifica: A razão.

O homem pertence ao gênero animal, do mesmo modo o cavalo, mas por meio da racionalidade este se afasta drasticamente dos equinos.

Diferença ditas simplesmente e diferenças específicas

Geralmente, toda diferença adicionada a algo torna esta coisa alterada. A diferença dita comumente ou propriamente torna algo mudado. A diferença dita mais propriamente faz de uma coisa se tornar outra.

Assim, algumas das diferenças mudam algo, outras tornam este algo em outro.

As diferenças que mudam algo são chamadas simplesmente de diferenças, e as que o tornam outro são designadas pelo nome de especificas.

Ex: A diferença de racional, quando atribuída ao animal o torna outro, no caso, o homem. Aqui temos um caso de diferença especifica dita de modo mais propriamente.

De outro modo, ao adicionarmos como diferença a capacidade de se mover, decorrerá daí apenas mudança em relação a um animal em repouso. Neste caso, podemos nos referir simplesmente a diferença.

As diferenças específicas geram as divisões dos gêneros e espécies, e apresentam as definições ,que são dada pelos gêneros mais próximos e pelas diferenças especificas.

As diferenças ditas simplesmente criam somente alteridades, não entrando na definição.

Divisões separáveis e não separáveis

As divisões podem ser:
a) Separáveis: Como por exemplo,a capacidade de movimento,repouso,a saúde e a doença e outras desta natureza.

b) Não separáveis: Como por exemplo,ser racional ou irracional.

Divisões inseparáveis que diferem por si ou por acidente

As inseparáveis podem ainda ser classificadas em diferenças que pertencem por si e diferenças acidentais.

As diferenças que pertencem por si o tornam outro,e as diferenças por acidente o tornam apenas mudado.

Ex: O racional e o mortal pertencem por si ao homem, enquanto o nariz adunco ou chato pertence por acidente.

Propriedades das que diferem por si

‘’Os que diferem por si não comportam mais ou menos’’

Propriedades das que diferem por acidente

‘’Os que diferem por acidente comportam mais ou menos’’

Diferenças divisoras e constitutivas

A diferença comporta ainda mais um classificação.É possível distinguir dois tipos de diferenças:

a) Diferenças que dividem os gêneros em espécies (Divisoras)

Ex: Racional e irracional, como mortal e imortal são diferenças que dividem os gêneros em espécies.

b) Diferenças que especificam o que foi divido (Constitutivas)

Ex: Ser animado e capaz de sentir é diferença constitutiva da substancia do animal.

Definições de diferença

Diferença é:

  1. Aquilo que pelo qual a espécie supera o gênero.

Ex:O homem,por possuir a racionalidade,supera o gênero animal.

2. O que é predicado de muitas coisas que diferem em espécie em resposta ao como é.

4. É aquilo naturalmente apto a separar os que estão no mesmo gênero.

Ex:O racional separa o homem do cavalo.

4. É aquilo pelo qual cada um difere.

5. É o que esta conjugada a espécie,e o que era ser de algo.

 

BIBLIOGRAFIA

[1]  PAIVA, G. B. V. de . Tradução do texto grego de: PORPHYRIUS, Isagoge. Ed. Busse, 1887

[2] ARISTOTLE, & PACE, G. (1967). Aristotlelous Organon = Aristotelis Stagiritae peripateticorum principis organum : hoc est, libri omnes ad Logicam pertinentes, Graece et Latine. Frankfurt/Main, Minerva

[3] Authors/Porphyry/isagoge/parallel

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge/parallel

Online, 19/01/2019 às 15:46


[4] Authors/Porphyry/isagoge/

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge

Online, 29/01/2019 às 15:49

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Resumo #9-Categorias(Categoriae vel Praedicamenta)-Aristóteles-Parte 7(Final)-O movimento/O ter

 

XIV-O movimento

Há seis espécies de movimento:

Geração;

Corrupção;

Aumento;

Diminuição;

Alteração;

Mudança de lugar;

Todos estes tipos de movimentos são distintos uns dos outros,com exceção da alteração.

Aparentemente, a alteração implica necessariamente os outros tipos de movimento.

Isso é falso, pois, uma afecção produz uma alteração num corpo sem necessariamente produzir aumento,diminuição,ou o que quer que seja.

A mudança admite contrários

De modo geral, o contrário da mudança é a inércia.Porém,cada tipo de movimento comporta um contrário próprio.

A geração é contrária a corrupção,a diminuição ao aumento,e a mudança de lugar ao repouso.

XV-O ter

O verbo ter pode ser compreendido por diversos pontos de vista:

a) hábito, disposição e qualidade.

Ex:Ter um conhecimento ou virtude.

 

b) quantidade

Ex: Um homem tem uma certa altura.

 

c) Quanto ao que se diz a respeito do vestuário.

Ex:O homem tem um casaco.A mulher usa um colar.

 

d)Quanto ao que dizemos que temos como parte do nosso corpo.

Ex: O homem tem dois braços e duas pernas.

 

e)Quanto a possessão.

Ex: Um individuo tem um casa.

 

BIBLIOGRAFIA

ARISTOTELES. Organon, v. 1 (Trad. Pinharanda Gomes). 1ª edição.Lisboa:Guimarães editores LTDA,1985

"Aristotle/praedicamenta/boethius"
http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Aristotle/praedicamenta/boethius
Online, 09/01/2019 às 21:46

Resumo #9-Categorias(Categoriae vel Praedicamenta)-Aristóteles-Parte 2-A quantidade

VI-A quantidade

A quantidade pode ser classificada em contínua e discreta.

Quantidade contínua(continuum) é aquela que assume qualquer valor em uma reta real,Como exemplo, temos o número e a oração.

Quantidade discreta(discretum)  é aquela que só pode assumir alguns valores,como exemplo ,temos a linha,a superfície e o sólido.

Algumas quantidades são formadas por partes que tem uma posição relativa em relação a outras partes, enquanto outras não mantêm uma posição relativa entre as partes.

Quantidade discreta

  • Não há um limite comum em que as partes de um número se possa unir.

Ex: Cinco e cinco fazem dez,mas estes dois cincos não tem um limite comum:Eles estão separados,as partes permanecem distintas umas das outras,por não haver um limite comum entre estas as partes.

Por este motivo, o número é uma quantidade discreta.

O mesmo vale para oração, pois não há um limite comum á união das sílabas, permanecendo cada uma distinta das demais.

Quantidade contínua

A linha é uma quantidade contínua, dado que possui um limite comum: o ponto.

Do mesmo modo, o plano possui por limite comum a linha, e o sólido possui o plano ou a linha por limite comum.

O tempo também é uma quantidade contínua. Passado, presente e futuro formam um todo contínuo.

O espaço também se inclui nesta classe de quantidades, visto que possui limite comum, que são os mesmo do sólido.

  • Existem quantidades que possuem partes que têm posição relativa e quantidade que não possuem partes.

Ex: As partes de uma linha tem uma posição relativa a outras partes, de modo que podemos distinguir a posição de cada uma.O mesmo é verdadeiro para o sólido e para o plano.

No entanto,no caso dos números não é possível constatar a posição relativa e declarar quais partes são contíguas.O mesmo ocorre no caso do tempo,pois nenhum instante possui uma existência permanente.

Tanto os números quanto o tempo possuem uma sucessão ou ordem relativa, visto que cada número ou instante são anteriores uns aos outros.

  • Distingui-se quantidade por essência de qualidade por acidente

 

As categorias de quantidade que vimos anteriormente são as únicas que pertencem propriamente a categoria de quantidade.Tudo o mais que assim se apresentar será somente por acidente.

Ex: O branco é grande. Queremos dizer com isso que, a superfície do objeto que possui a cor branca é grande.

Outro exemplo:Se falarmos que determinada ação é longa,queremos dizer que o tempo que se leva para realizar tal ação é longo.

 PROPRIEDADES DA QUANTIDADE  

1 ) A quantidade não tem contrário.

Ex: Dois côvados não têm contrário.

Pode-se argumentar que muito é contrário de pouco.

No entanto, Muito e pouco, grande e pequeno, expressam relações e não quantidade.

Em si mesma,uma coisa não pode ser considerada grande ou pequena,somente em relação a outra coisa é que se pode afirmar que algo é grande ou pequeno.

2)A quantidade não é susceptível de receber mais ou menos

Ex:Dois côvados de comprimento não podem ser mais ou menos que dois côvados.O número três não pode ser maior ou menor do que outro número três.

No entanto, podemos afirmar que uma quantidade é igual ou desigual à outra.

Ex: O número três é igual a outro três, mas diferente de um cinco.

 

 

 

Bibliografia

ARISTOTELES. Organon, v. 1 (Trad. Pinharanda Gomes).1ª edição.Lisboa:Guimarães editores LTDA,1985

"Aristotle/praedicamenta/boethius"
http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Aristotle/praedicamenta/boethius
Online, 09/01/2019 às 21:46

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Resumo #8-Introdução Geral a Filosofia-Jacques Maritain (Parte 2 de 2 )

CAPÍTULO SEGUNDO: DIVISÃO DA FILOSOFIA

AS GRANDES PARTES DA FILOSOFIA

O trabalho do filósofo é adquirir o saber utilizando a razão como instrumento.

O estudo da razão como meio de se chegar á verdade se chama lógica.

A lógica é uma ciência ou arte da qual a filosofia se serve, indica o meio de proceder no saber.

É a primeira disciplina que deve ser estudada,pois fornece os meios para obtenção da verdade.É necessário possuir os meios do saber em primeiro lugar.

Depois de dominar a lógica o filósofo pode aplicar-se em seu trabalho.

Podemos utilizar a razão com a única intenção de contemplar a verdade ou emprega-la tendo em vista um determinado fim prático.

Utilizando a razão somente pelo desejo de conhecer, segundo as causas primeiras chegamos a filosofia especulativa.

Caso apliquemos o uso da razão tendo em vista obter por alguma ação o bem do homem segundo as causas primeiras teremos chegado a filosofia prática,também chamada de moral ou ética.

A filosofia moral tem por objeto formal os atos humanos.A filosofia especulativa tem por objeto o ser das coisas.A lógica tem por objeto o ser de razão que dirige o espírito para a verdade.

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OS PRINCIPAIS PROBLEMAS

Nesta sessão, o autor se propõe a apresentar os principais problemas de cada ramo da filosofia.

LÓGICA

Ao iniciarmos o estudo da lógica,nos preocupamos primeiro em nos servir dela de uma maneira correta.O problema central que se coloca é o seguinte:

1)Quais são as regras que precisamos seguir para raciocinar corretamente?

Eis o principal problema da lógica menor ou formal.

Depois disso,nos preocuparíamos com sua aplicação na própria matéria na qual deve trabalhar não só de maneira correta,mas útil e eficaz,levando-nos ao próximo problema:

2)Em que condições o raciocínio não é somente correto,mas também verdadeiro e demonstrativo,e faz adquirir a ciência?

Eis é o questionamento central da Lógica maior ou material, que estuda os métodos das diversas ciências.

Outra questão que se coloca é:

3)Por que meio as coisas se tornam presentes no nosso espírito,permitindo que raciocinemos sobre elas para adquirir a ciência?

Resposta: Por meio das ideias.

As coisas se apresentam para nos por meio das ideias ou por meio de uma representação sensível.

As ideias são similitudes interna das coisas pelas quais estas nos são apresentadas de modo que possamos raciocinar sobre elas.

Ex:A ideia de um quadrado abstraído de seus determinantes qualitativos e quantitativos.

As imagens ou representações sensíveis são a similitude interna das coisas pelas quais essas mesmas coisas nos são apresentadas como nos mostram as nossas sensações.

Exemplo:Determinado quadrado com suas qualidades e quantidades próprias .

As ideias tem um caráter universal(Todos Homens),enquanto as imagens tem um caráter particular(Este homem).

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Podemos levantar agora um último questionamento:

4)Como pode ser verdadeiro o conhecimento que adquirimos pelas nossas ideias,visto que essas só nos apresentam diretamente o universal?

Três grandes escolas de pensamento se propõe a responder esta questão:

a)Nominalismo:Aquilo que nossas ideias nos apresentam sob um estado universal não existe absolutamente na realidade.

Principais defensores: Guilherme  de  Occam, Hobbes,Locke, Berkeley ,Hume , Stuart  Mill e  Spencer .

Consequência:Destrói o conhecimento o conhecimento intelectual e faz da ciência uma ficção.

b)Realismo:Aquilo que nossas ideias nos apresentam sob um estado universal existe na realidade sob este estado universal.

Principais defensores:Platão,Spinoza e Hegel.

Consequência:Torna o conhecimento sensível uma ilusão.

c)Realismo moderado:Aquilo que nossas ideias nos apresentam sob um estado universal não existe fora do espírito sob espírito sob o estado de universalidade,mas existe fora do espírito sob um estado de individualidade.

Principais defensores:Aristóteles e Santo Tomás.

Consequência:Distingue a coisa do modo de existência.Justa medida entre o nominalismo e o realismo.

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FILOSOFIA ESPECULATIVA

A filosofia especulativa estuda o próprio ser das coisas.Ela inicia seu estudo pelos seres corpóreos,que se apresentam facilmente aos nossos sentidos,passando posteriormente ao estudo do ser enquanto ser.

A palavra corpo pode ser tomada em duas diferentes acepções:

a)Corpo Matemático:Se estende em largura,comprimento e profundidade.

b)Corpo Físico:Cai sobre os nossos sentidos com tais e tais propriedades ativas e passivas.

A-Filosofia do número

O principal problema pela filosofia da matemática é o seguinte:

1)Em que consiste o objeto primeiro das matemáticas?Qual é a natureza da quantidade,da extensão e do número?

 B-Filosofia do Ser Móvel e sensível

Os principais problemas da filosofia natural são os seguintes:

1)Em que consiste o movimento?

2)Em que consiste a própria substância corpórea?

As principais correntes de pensamento que se dedicaram a pensar estas questões foram:

Mecanicismo: A substância corpórea é concebida como uma simples matéria que é identificada á extensão geométrica.

Principais proponentes: Demócrito,Epicuro,Lucrécio,Hobbes(Materialistas) e Descartes(Espiritualista).

Consequências:

a)Não existiria diferença essencial entre os corpos.

b)Inexistência de qualidade no mundo físico

c)União da matéria e espírito se tornaria ininteligível.

Dinamismo:A substância corpórea é reduzida,quer a unidades de formas puras e dos espíritos(Monadismo),quer á força ou á energia.

Principal proponente: Leibniz

Consequências: A extensão e a toda a realidade sensível não seriam mais que simples aparência.

Hilomorfismo:Toda substância corpórea é composta de duas partes substanciais complementares,uma passiva e em si mesma absolutamente indeterminada(Matéria) e outra ativa e determinante(Forma).

Principais proponentes:Aristóteles e Santo Tomás

Consequências:

a)Essa doutrina salva tanto a realidade da matéria e da extensão,quanto a realidade das qualidades.

b)Existência de uma distinção de essência entre corpos de espécies diferentes.

c)Permite compreender a união do corpo e alma no ser humano.

OS CORPOS VIVOS

Vimos acima os problemas relacionados aos corpos em geral.Agora,passaremos ao estudo dos corpos vivos.

Os corpos vivos tem a propriedade de se moverem por si mesmos,ao contrario dos corpos inorgânicos que só se movem por ação externa.

O senso comum admite uma alma,fonte da vida e do movimento destes corpos.

Os problemas centrais colocados pela Psicologia (entendida aqui como a ciência dos corpos vivos) são:

1)Quais são os primeiros princípios constitutivos do organismo vivo?

2)Problema da origem das ideias:Como explicar a presença em nós mesmos das ideias que nos servem para raciocinar sobre as coisas e pelas quais as coisas nos são apresentadas sob um estado de universalidade?

Resposta:As ideias são abstraídas dos dados sensíveis por meio do chamado intelecto agente,uma faculdade especial que ultrapassa aos sentidos.

O problema da origem das ideias é tratado por três facções:

a)Inatistas:As ideias são essencialmente diferente das sensações e das imagens e não vem dos sentidos.

Principais proponentes:Platão,Decartes e Leibniz.

b)Sensualismo:Nossas ideias vêm dos sentidos,que bastam para produzi-las,e não diferem essencialmente das imagens e das sensações.

Principais proponentes:Locke,Stuart Mill e Condillac

c)Filosofia de Aristóteles e Sto Tomás:Nossas ideias vem dos sentidos,mas pela atividade de uma faculdade espiritual e são essencialmente diferentes das sensações e das imagens.As ideias são essencialmente diferentes das sensações e das imagens,mas delas são tiradas pela atividade de uma faculdade espiritual.

Outra questão que se coloca é o problema da natureza do homem formulado nestes termos:

3)Em que consiste o ser humano?O homem possui uma alma espiritual,absolutamente diferente da dos animais?Quais são as relações desta alma com o corpo humano?

Discussão

Animismo:O homem é composto de dois princípios incompletos cada um,dos quais um (alma racional) é espiritual,e que formam uma única substancia(composto humano).

Principais proponentes:Aristóteles e Sto Tomás

Erro por deficiência:A alma humana não existe(Materialismo) ou não é cognoscível(Fenomenismo).

Erro por excesso:O homem é um espírito acidentamente unido a um corpo(Espiritualismo exagerado);a alma e o corpo são duas substâncias completas cada uma(Dualismo).

A posição adotada pelos filósofos com respeito ao problema das ideias determina sua atitude com respeito da existência do mundo corpóreo e espiritual.

As diversas posições podem ser sintetizadas em três grupos:

a)Filosofia de Aristotéles e Sto Tomás(e senso comum):

Não se pode duvidar sem cair no absurdo,nem da existência das coisas corpóreas(atestado pelos sentidos) nem da existência das coisas espirituais (demonstrada pela razão).

b)Filosofias de tendência materialista:Negação de tudo que é não material e sensível(Materialismo absoluto),ou afirmação que sua existência não é cognoscível (Materialismo fenomenista e positivismo).

c)Filosofias de tendências idealistas:Negação do mundo sensível(Idealismo absoluto),ou afirmação que sua existência não é cognoscível(Idealismo fenomenista).

C-Filosofia do Ser enquanto ser

Passaremos agora ao estudo do Ser,não mais enquanto corpóreo ou móvel ,mas simplesmente enquanto ser de modo absolutamente universal,como pode ser encontrado nas coisas puramente espirituais.

A Crítica

Antes disso, precisamos nos preocupar em estudar a relação do pensamento humano com o ser.

A crítica ou metafísica da verdade trata cientificamente sobre o que é a verdade do conhecimento,demonstrando que a obtenção do conhecimento certo é possível.

O problema central da Crítica é o seguinte:

1)Que é a verdade do conhecimento?

2)Podemos refutar aqueles que põem em dúvida a veracidade de nossas faculdades de conhecer,principalmente da inteligência ou da razão?

Respostas:

1)A verdade do conhecimento consiste na conformidade do espírito a coisa.É absurdo pôr em dúvida a veracidade de nossas faculdades de conhecer.

2)Três grupos se dividem para responder esta questão:

a)Intelectualismo moderado:Aquilo que é,é que causa a verdade de nosso espírito.A razão pode atingir,com plena certeza,as verdades mais elevadas da ordem natural,porém dificilmente e sob a condição de ser disciplinada.

Principais proponentes: Aristóteles e Sto. Tomás

b)Erro por deficiência:A razão não pode atingir a verdade,que escapa absolutamente ao homem(ceticismo),ou que dever ser procurada fora da inteligência (anti-intelectualismo).

Principais proponentes:

Céticos:Pirro,arcesilau,Carneades,Montaigne,Sánchez,Hume.

Antiintelectualistas:Rousseau,Fichte,Schoppenhaur,Bergson,William James.

c)Erro por excesso:A razão atinge facilmente,e sem ter necessidade de submeter-se a uma disciplina imposta de fora,a verdade de tudo(Racionalismo).

Principais proponentes:Descartes e Kant.

d)Síntese destes dois erros:É o espírito do homem que faz a verdade daquilo que conhece(fenômenos);e aquilo que é (a coisa em si) não é cognoscível pela razão (Críticismo ou agnosticismo kantiano).

Outra questão que se coloca é o problema do objeto da inteligência:

3)Qual é o objeto formal da inteligência,sobre o qual o conhecimento intelectual se aplica imediatamente e por si mesmo?

Resposta:O objeto formal da inteligência é o ser.Ela é feita para atingir aquilo que as coisas são independentemente de nós.

O ser como tal é inteligível;Toda coisa é inteligível na medida que é.

Ontologia

Passaremos agora ao estudo da Metafísica propriamente dita.

Trataremos do Ser enquanto ser,considerando:

a)Suas propriedades(unidade,verdade,bondade e beleza).

b)A divisão do Ser do ponto de vista:

1-Da constituição de todo ser criado(divisão do ser em potência e ato,essência e existência).

2-Das diversas espécies de seres criados(divisão do ser em substância e acidente).

Iniciaremos o estudo da Ontologia colocando a seguinte questão:

1)Quais são os objetos do pensamento que se impõem necessariamente e em primeiro lugar á inteligência quando ela se aplica ao ser como tal?Quais são os dados absolutamente primeiros da inteligência?

 

 

Essa questão comporta tríplice resposta,conforme nos colocamos no ponto de vista:

Da inteligibilidade-Ser enquanto essência.

Da existência-Ser enquanto substância.

Da ação-Ser enquanto ato.

A essência

Essência em sentido lato

Em sentido lato, essência é aquilo que tal ideia põe imediatamente ante a inteligência.É o ser considerado do ponto de vista da inteligibilidade,ou seja,enquanto pode ser simplesmente apresentado ao espírito sem afirmação nem negação(Simples apreensão.

É aquilo que em qualquer objeto é colocado imediatamente antes de tudo (Per se primo) apresentado a inteligência,id quod in aliqua re per se primo intelligitur.

A existência atual de ser não altera e essência destes.A essência faz abstração do fato do ser existir ou não atualmente.

Essência e existência

A palavra ser comporta duas acepções diferentes:A essência e a existência.

A essência designa aquilo que é ou pode ser.

A Existência designa o ato de ser,no qual o objeto é colocado fora do nada ou fora de suas causas.

 

 

Essência em sentido estrito

Essência em sentido estrito é apreensão dos objetos pela inteligência enquanto julga.

A essência em sentido lato se divide em:

a)Aquilo que:Aquilo que é propriamente uma coisa e exerce o ato de ser .É Também chamada de pessoa ou suposto.É o primeiro sujeito de existência e de ação.

  1. b) O que:O que uma coisa é em sentido estrito.

Características desta essência (o que é):

A essência de uma coisa é o que esta coisa é necessariamente e primeiramente a titulo de primeiro principio de inteligibilidade.

A essência é portanto o ser necessário e primeiro da coisa a titulo de principio primeiro de inteligibilidade.

Podemos tirar daí a conclusão que nossa inteligência pode conhecer o ser das coisas.De modo contrário,ela seria inteiramente vã e falsa.

As essências das coisas são universais no espírito.Consideradas no real se encontra em um estado de individualidade.

Porém,considerada em si mesma não é nem universal nem individual.

Natureza individual

Sendo universal no espírito,a essência é compartilhada necessariamente por uma multidão de indivíduos.

Compartilhando a mesma essência,os indivíduos estão no mesmo nível no ser primeiramente inteligível,sendo essencialmente iguais.

A diferença entre estes diversos indivíduos não podem pois,repousar na essência,sendo portanto não essenciais.

A diferença entre os vários indivíduos que compartilham uma essência comum é devida a natureza individual.

A natureza individual é o que uma coisa é necessariamente e primeiramente enquanto individual.

Esta é necessária e primeira,de modo semelhante a essência,com a diferença de não ser necessária e primeira do ponto de vista da inteligibilidade.

Esta natureza individual tem por principio a matéria-prima, indeterminada, que serve para constituir um ser, não sendo em si um ser.

A substancia e o acidente

Passaremos agora ao estudo do ser com relação à existência.

Podemos formular a questão essencial nestes termos:

1)Qual é o ser primeiramente apreendido pela inteligência,enquanto existente?

O ser apreendido pela inteligência enquanto existente são os seres individuais e concretos,providos da capacidade de existir e agir.São portanto os primeiros sujeitos de ação.

Este sujeito é um ser existente por si mesmo(per se) e em si mesmo (in se),existe como um todo e não faz parte de um outro ser ou sujeito.

A natureza de um sujeito de ação é aquilo pelo que este é apto a existir puramente e simplesmente (simpliciter).

Todavia,o ser não existe somente a esse título,ele comporta uma serie de determinações secundária que existem segundo algum ponto de vista(secundum quid).

Essas determinações acrescentam (accidere) ao sujeito.São seres de acréscimo que denominamos de acidentes.

Por oposição aos acidentes temos a noção de substância,que é o próprio sujeito de ação.

A substancia

A substancia é uma  coisa ou natureza que convém existir por si ou em razão de si mesma (per se) e não em outra coisa.

O acidente

O acidente é uma natureza ou essência a qual convém existir em outra coisa.

Os acidentes podem ser:

a)Acidentes contingentes:Podem falta no sujeito.

Ex:O ser médico,branco,brasileiro,etc…São acidentes que não são necessários ao sujeito.Podem ou não estar presentes.

b)Acidentes necessários:Que não podem faltar a determinado sujeito.

Ex:A inteligência e a vontade no ser humano.

Diversas escolas se opõem umas as outras na tentativa de solucionar o problema da substância:

a)Filosofia de Aristóteles e Santo Tomás:

Há tantas substancias quantos são os indivíduos.

Cada um deles,por sua substancia,tem o ser primeiro;há,porém,m cada um deles acidentes reais e realmente distintos da substancia.

b)Substancialistas:Não há acidentes reais e realmente distintos da substancia,que é a única realidade.(Descartes,Leibniz e Spinoza,Panteístas alemães do sec.XIX).

c)Fenomenistas:Não há substância.Os acidentes são a única realidade.(Sensualistas ingleses,Escola neocriticista).

A individualidade da substância

O ser apreendido pela inteligência pelo ponto de vista da existência é individual.

Isso ocorre porque o intelecto apreende o ser das coisas por meio das sensações e imagens,apresentando-nos as coisas em sua condição de individualidade.

A substância pode ser:

a)Substancia primeira(Substantia prima):É a substancia tomada como individual do ponto de vista da existência.É a substância propriamente dita.

b)Substância segunda(Substantia secunda): É a substancia tomada como universal,através da abstração da individualidade do ponto de vista da inteligibilidade.É a essência propriamente dita.

A substância existe em si (in se),não existe como parte de um todo,mas constitui o todo que existe,e existe em virtude de si

(per se ),sendo que por sua própria natureza que é posto na existência.

No entanto,isso não significa que seja principio absolutamente primeiro de sua existência ( a se).

O ato e a potência

Passaremos neste momento a considerar o ser do ponto de vista da ação.

A primeira verdade apreendida pela inteligência ao formar a noção de ser é que aquilo que é,é (Principio da identidade) ou que aquilo que é não pode deixar de ser ao mesmo tempo e sobre o mesmo aspecto(Princípio da contradição).

Podemos nos perguntar então :

1)O que fazem as coisas?qual é o primeiro fato da experiência apreendido pelos sentido?

SOLUÇÃO

É o fato da mudança ou do movimento.

Para que exista movimento, é necessário tem de haver a passagem de um ser ou estado de ser a outro.É preciso um sujeito que sofra a ação (terminus a quo) para se tornar aquilo outro (terminus ad quem).

O ser vem antes da mudança.Não há movimento sem um sujeito que seja movido.

Cabe agora considerar o nosso próximo problema:

2)Como o termo antigo se transforma  no termo novo?

SOLUÇÃO

O termo novo não pode vir nem do não pode vir do ser,pois este já é,nem do não não ser,que não é coisa alguma.

O termo antigo já é tudo o que ele pode ser,mas não é tudo o que pode ser.Deste modo o termo antigo ainda não é o que pode ser,mais pode sê-lo.

Deste modo,entre o ser e o não ser existe o pode ser.

Peguemos o seguinte exemplo:

Uma flecha pode estar no arco (Termo antigo),mas ela pode estar no alvo,pois tem a capacidade de estar lá.

A potência

O  conceito que expomos acima é chamado de potência pelos filósofos.

Esta noção indica que embora uma coisa está aqui (e não ali ),ela possui o poder,a capacidade de deixar de estar aqui e passar a estar lá.

No entanto, enquanto ela permanece aqui,a potencia permanece como simples poder não manifesto,porém capaz de se manifestar.

O ato

O ato é o ser no sentido próprio da palavra.É o ser acabado e determinado enquanto tal.

É o oposto de potência,ou seja o ser que é em ato,neste momento e que é potencialmente capaz de se tornar outro.

Ex:A água(em ato) tem potencialidade para se tornar gelo ou vapor.

O homem saudável (em ato) pode se tornar doente(em potência).

Em resumo:

O ser se divide em:

a)Ser propriamente dito-ATO

b)Capacidade de ser-Potência

Natureza da mudança

A mudança é a passagem da potência ao ato ou o ao de uma coisa em potência enquanto está em potência (actus exsistentis in potentia prout in potentia).

 ato e potência nas coisas

Todas as coisas mutáveis são compostas de ato e potencia.

No entanto ,em Deus  só há ato,pois,sendo absolutamente imutável é puro de toda potencialidade.

Considerações importantes

a)O conceito de matéria-prima que vimos ao estudar a natureza individual é pura potência,pois pode ser qualquer copo,não sendo por si nenhum.

Este principio potencial se une com um principio atual,a forma substancial para constituir uma substância corpórea.

b)A potência e o ato participam de todo o ser criado,quer substância ,quer acidentes.

c) Axiomas referentes ao ato e a potência:

I.A potência não pode existir em estado puro,desprovida de ato.

II.Nada é lavado da potência ao ato,senão por um ser em ato.

III.O ato vem antes da potência(Consequência do axioma anterior)

IV.A potência é essencialmente relativa ao ato e é para o ato.

V.O ato e a potência estão na mesma linha(da substancia ou do acidente).

VI.Toda coisa age na medida em que está em ato.

VII.De dois seres em ato não pode resultar alguma coisa de uno por si.

O problema do ato e potência

Três grandes escolas se dividem a respeito deste problema:

a)Intelectualismo moderado:Potência e ato nas coisas.Deus ou o ato puro é absolutamente distinto das coisas.

Principais proponentes: Aristóteles e Santo Tomás

b)Intelectualismo exagerado:Não há potência nas coisas.Tudo é absorvido seja no puro ser,seja na contradição que faz o vir-a-ser,e as coisas se confundem com Deus.

Principais proponentes:Parmênides,Spinoza,Hegel.

c)Anti-intelectualismo:Não existe ato nem ser.Tudo é absorvido na mudança ou vir-a-ser,puro e Deus confunde-se ou esta contido nas coisas.

Principais proponentes:Heráclito,Bergson.

Teodicéia

A parte mais elevada da metafísica é a Teologia natural ou Teodicéia.Esta considera a causa do ser,é a ciência de Deus enquanto acessível á razão natural ,causa das coisas e autor da ordem natural.

Problemas da Teologia natural

1)Questão da existência de Deus.

A existência de Deus não é imediatamente evidente.Ela é conhecida em virtude do raciocínio,apoiando-se sobre realidades comprovadas.

Santo Tomás demonstra em suas cinco vias a existência de Deus,chegando a conclusão que a esta se impõe a razão humana com necessidade absoluta.

2)Estabelecer o modo de conhecimento pelo qual Deus é conhecido.

3)Estudar as perfeições que decorrem de sua perfeição de ser de si(asseidade).

4)Problemas relacionados com a presciência Divina dos acontecimentos contingentes,dos atos humanos e da origem do mal no universo.

O problema do conhecimento de Deus

A doutrina de Aristóteles e São Tomás ensina que Deus é conhecido por analogia e é absolutamente distinto das coisas.

A esta doutrina se opõe dois erros opostos:

a)Panteísmo:Deus confundo com as coisas.

b)Agnosticismo:Deus incognoscível.

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FILOSOFIA PRÁTICA

As Ciências práticas tem em vista o conhecimento a fim de obter o bem do meio do homem por meio de alguma ação.

O bem pode ser:

a)Bens particulares

b)O bem em si,ou o sentido da vida humana.

 

Filosofia do ‘’Fazer’’

Nenhuma ciência prática é filosofia, visto que não regulam a ação do homem em ralação á causa mais elevada da ordem prática,que é o fim procurado que tem por razão um principio em relação ao fim último.

Também não podem ser consideradas verdadeiras ciências,pois não agem de maneira demonstrativa na busca de suas conclusões.

Convém contar então estas ciências na categoria da arte.

A finalidade da arte é dirigir uma obra a ser feita dando as regras para sua execução, de modo a garantir a perfeição ou a bondade da obra produzida.

Podemos estabelecer uma filosofia da arte ou da obra a ser feita, colocando-nos do ponto de vista dos conceitos e dos princípios mais universais,que pertencem por direito ao domínio da filosofia.

 

Principais problemas da filosofia da arte

1)Em que consiste a arte?

2)A arte é uma virtude do intelecto prático?

3)Como ela se distingue das virtudes especulativas e das virtudes morais?

4)Como classificar e dividir a arte?

5)Quais são os princípios supremos e condições próprias das belas-artes?

 

Filosofia do ‘’Agir’’

Moral ou ética é a ciência que visa alcançar o bem do homem,pura e simplesmente,tendo por objeto a bondade ou perfeição do homem faz livremente o uso das suas faculdades.É portanto a ciência do agir.

A ética considera o bem absoluto do homem,seu fim ultimo.Por esse motivo que é propriamente filosofia prática.

Pode-se dizer que ela é impropriamente prática,pois ela é especulativa em seu objeto formal(conhecimento dos atos humanos) e em seu modo de proceder.

Portanto,ela é somente capaz de dar as regras próximas aplicáveis aos atos humanos,mais é incapaz de fazer com que as apliquemos.

Principais problemas da ética

Á ética regra a conduta humana tendo por fim uma beatitude natural,que o homem só teria caso se o homem não tendesse a um fim sobrenatural.

Deste modo,fica evidente a insuficiência da ética para dirigir a ação do homem.

Precisamos então,antes de mais nada,descobrir:

1)Em que consiste fim ultimo ou bem absoluto do homem?

2)Quais os atos que fazem os homens se aproximarem ou se afastarem de seu fim último?O que são atos bons e maus?

3)Quais  são as regras supremas e imediatas destes atos?quais os seus princípios intrínsecos?

Devemos também,estudar as regras da conduta humana no que concerne:

a)Ao seu próprio bem

b)O bem de outrem- A virtude da justiça –Direito natural

c)A Deus-Questão da religião natural

Problema do fim último do homem

Novamente,três escolas se dividem para iluminar este problema:

a)Moral da beatitude ou do soberano bem:O homem é ordenado a um fim último que não é ele mesmo;Este fim último é Deus.

c)Sistemas morais que degradam o homem:O homem é ordenado a um fim último que não é ele mesmo e este gim último é algo de criado(hedonismo,epicurismo,utilitarismo,etc…)

c)Sistemas morais que divinizam o homem:O Homem é ordenado a si mesmo,ou sua própria virtude é o seu fim (estoicismo),ou porque sua bondade não depende de nenhum bem para que ele seria feito(Kantismo).

Resumo #8-Introdução Geral a Filosofia-Jacques Maritain (Parte 1 de 2 )

Sem título

 

PRIMEIRA NOÇÃO DE FILOSOFIA

A Filosofia é uma sabedoria humana.O Filósofo,antes de se considerar um sábio (aquele que possui a verdade) é um ‘’amigo da Filosofia’’.

O Filósofo é aquele que busca a verdade de modo desinteressado ,por meio exclusivo do uso da razão.

O primeiro capítulo desta obra apresenta o desenvolvimento da filosofia desde seu surgimento nos povos primitivos da Ásia e oriente médio, até o surgimento do pensamento filosófico propriamente dito na Grécia que tem Aristóteles por seu ponto culminante.

Em seguida,o autor passa a definir a filosofia e seu lugar frente as ciências particulares,a teologia e o senso comum.

O segundo capitulo tratará da divisão da filosofia em três grandes ramos:Lógica,Filosofia especulativa e Prática.

CAPÍTULO PRIMEIRO: NATUREZA DA FILOSOFIA

O PENSAMENTO FILOSÓFICO ANTES DA FILOSOFIA PROPRIAMENTE DITA

A filosofia propriamente dita surgiu na Grécia nos séc.VIII e VII a.C.Os povos primitivos não conheceram o conhecimento filosófico,embora tenham sido capazes de captar algumas verdades obtidas por meio do exercício irrefletido da razão(Senso comum) ou por meio da tradição primitiva.

Essa tradição primitiva não é nada mais que o conhecimento ancestral partilhado pelos diversos povos da humanidade.

Essas verdades fundamentais foram pouco a pouco se tornando obscurecidas à medida que os homens iam aderindo aos erros do animismo,politeísmo,etc…

Judeus e Egípcios não desenvolveram uma filosofia ,embora estes últimos fossem relativamente avançados cientificamente.

Nestes povos,a religião apresentava algumas verdades filosóficas ,tomando o lugar da Filosofia.

Os povos arianos conheceram certo esforço filosófico,embora estes não tenham sido capazes de o desenvolver independentemente da religião .

A FILOSOFIA PERSA

Zoroastro foi o fundador do masdeísmo.Esta doutrina sistematiza e deforma certas verdades da tradição primitiva,especialmente em relação ao problema do mal.Ela afirma a existência de dois princípios eternos e referentes ao bem e ao mal,que travam uma eterna luta entre si.

A FILOSOFIA NA ÍNDIA

a)Bramanismo:Metafísica sagrada proveniente de reformas no vedismo primitivo realizado pela casta sacerdotal.

É uma doutrina panteísta que afirma que o princípio do mundo (Brahmá/Atman) permeia tudo o que existe.A tentativa de escapar do panteísmo leva esse doutrina até o idealismo,negação daquilo que é possível conhecer por meio dos sentidos,que seriam que apenas ilusões.

A moral bramanista considera o problema do mal pela perspectiva da dor.Suas doutrinas ensinam que a libertação da dor é possível por meio de uma contemplação metafísica de caráter supra-racional,na qual o homem tenta alcançar esta libertação as custas do seu próprio esforço(Naturalismo).

b)Budismo:Nascida da corrupção da Filosofia bramânica,esta doutrina orienta-se mais pela prática do que para especulação metafísica.

O budismo coloca o vir-a-ser antes do ser,procurando conhecer somente a sucessão  das formas instáveis.É portanto uma visão evolucionista .

Outras características desta escola são:O agnosticismo que tende para o ateísmo,e o fenomenismo,que afirma a substituição da substancia pelo eterno devir e a metempsicose.

A libertação da dor é levada a termo pelo sistema budista,de forma mais grave que no bramanismo.A própria existência em si seria um mal.

Para libertar-se da dor,o homem deve procurar destruir em si o desejo de ser,que seria a fonte de todo o mal para que possa atingir o nirvana,um estado de vazio completo.Ao atingir este estado o homem fica livre da transmigração.

A FILOSOFIA CHINESA

a)Taoismo:O absoluto assume dois diferentes aspectos ,um deles é o Khien a fonte imóvel incognoscível de toda atividade, e Khouen,atividade cognoscível que manifesta a perfeição de forma evolutiva em espiral que tende a voltar para o Khien.Desta forma,apresenta-se como uma doutrina panteísta e evolucionista.

 

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A FILOSOFIA PROPRIAMENTE DITA

Somente na Grécia a filosofia pôde se desenvolver de forma autônoma,completamente distinta da religião.

No momento do surgimento da filosofia,a religião grega já estava muito decadente,incapaz de fornecer respostas aos homens daquela época.

Os grego foram o povo escolhido da razão,de modo semelhante como os Judeus foram o povo escolhido da revelação.

OS SÁBIOS

Os primeiros pensadores gregos foram os poetas,interpretes das tradições religiosas.Por meio de mitos(Homero e Hesíodo) e profecias(Epimênides de Cnossos) forneciam alguma explicação imperfeita sobre o mundo.

Reunidos em número de sete conforme a tradição,  eram em sua maioria homem práticos como legisladores e moralistas.

Preocupavam-se em fornecer algumas sentenças que permitiriam melhorar a vida de seus concidadãos.Por esse motivo,não se pode dizer que faziam propriamente filosofia.

Somente com Tales de Mileto a filosofia tem realmente seu início.

OS FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS 

a)Os Jônios-Os primeiros físicos

Os primeiros filósofos se preocuparam em entender a natureza sensível.

Desejavam entender tudo por meio da causa material,ou seja,desejavam descobrir de que matéria é  composto tudo que existe no universo.Além disso,procuravam entender como um corpo pode se transformar em outro,que é por exemplo o que ocorre quando comemos(o alimento se transforma em corpo).

Cada filósofo defende um princípio único(arkhé) que constitui a matéria das coisas e é responsável por ordena-las.

O quadro abaixo resume os principais pensadores desta escola e o princípio ordenador defendido por cada um:

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b)Heráclito,Demócrito,Anaxágoras

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Paralelamente a escola Jônica (Séc VI e V a.C.) houveram duas escolas de pensamento:Os Pitagóricos  e os Eleátas.

c)Os Itálicos

Apresentação1

d)Os Eleatas

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Quadro Sinóptico:Os Filósofos pré-socráticos

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OS SOFISTAS 

Os sofistas deslocaram o problema filosófico do cosmo para o homem.Eram mercenários da arte da argumentação,necessária para os cidadãos na democracia ateniense.

Estes ‘’sábios’’ desejavam obter as vantagens da ciência,sem querer a verdade que esta proporcionava.Procuravam na inteligência um modo de demonstrar superioridade,manifestavam sua força destruindo pelo raciocínio.Utilizavam-se de raciocínios falazes(Sofismas) afim de distorcer os conceitos contra seus adversários.

Acreditavam na ciência sem crer na verdade,levando ao relativismo e ao ceticismo.

 

SÓCRATES

Opositor dos Sofistas que afirmavam tudo saber,Sócrates faz de sua profissão de ignorância o meio para ensinar seus ouvintes á procura da verdade.

Sua obra consistia numa conversação,de modo semelhante aos sofistas, com a diferença que este não cobrava por sua sabedoria.

O trabalho deste filósofo era prático:era um médico de almas destinado a fazer com que as inteligências trabalhassem.Por esse motivo,não chegou a formular um sistema doutrinal sólido.

Seu método era composto pela ironia socrática,que consistia em obter por meio de perguntas a confissão de ignorância do seu interlocutor sobre determinado tema.

Em seguida,utiliza novos questionamentos,desejava ajudar seu oponente a descobrir a verdade por si mesmo.Este método era denominado de maiêutica,a arte de dar á luz aos espíritos.

Sócrates procurava a essência e a definição das coisas em suas conversações.Com isso,forjou uma base lógica e crítica necessária para o progresso da filosofia.

PLATÃO

Platão(427-347 a.C.) foi o discípulo de Sócrates por excelência.

Este filósofo se empenha em realizar uma grande síntese doutrinal do pensamento grego,que embora imperfeita possui inestimável valor.

A Filosofia de Platão é a filosofia das ideias. Ele defende a existência de um mundo suprassensível que contém uma série de arquétipos imateriais (Ideias),modelo de tudo aquilo que existe em nosso mundo,como homens,cavalos,objetos,etc…

O mundo das ideias seria a realidade,enquanto os seres e objetos concretos seriam apenas imagens imperfeitas daqueles.

deste modo, não se pode esperar que a realidade sensível seja objeto de ciência,somente de opinião enganadora.

Para Platão o homem é puro espírito estando preso na carne(dualismo psicológico).A criação do mundo seria ação de um demiurgo,responsável por criar a matéria que aprisiona o ser.

Sua obra tratou ainda sobre diversos temas,como a moral e a política.

A sua doutrina moral afirmava que o bem do homem está em se assemelhar a Deus por meio da virtude e da contemplação.

Afirmava a doutrina errônea de que todo homem que age mal,age por ignorância.

Em política,expressa uma visão demasiada racionalista e idealista de sociedade.Exagerando na aplicação do princípio de que a parte existe para o todo acaba por chegar no comunismo absoluto,onde todos os indivíduos e objetos existem exclusivamente para o bem do estado.

ARISTÓTELES

Discípulo de Platão,Aristóteles foi capaz de corrigir os erros do sistema filosófico de seu mestre,conseguindo estabelecer a posse da realidade pela inteligência humana.

Ele refuta o idealismo platônico,afirma a impossibilidade da essência das coisas estar fora das mesmas.Para ele,a essência existe nos seres,por meio do processo de abstração a mente é capaz de tomar a ideia de modo universal.Essas ideias universais existem somente na inteligência por meio da apreensão intelectual ,enquanto as essências individuais estão em cada um dos seres particulares.

Segundo esta acepção,o mundo sensível pode ser objeto de ciência.

Aristóteles dedicou-se ao estudo do mundo dos corpos sensíveis,sobretudo buscando uma explicação para o problema do movimento com sua doutrina das quatro causas.

CONCLUSÃO

Definição de Filosofia 

A filosofia é uma sabedoria que consiste em conhecer pelas causas,utilizando a luz natural da razão,considerando aos coisas pelas causas primeiras.

A filosofia é o conhecimento cientifico que pela luz natural da razão considera as coisas pelas causas primeiras.

Filosofia e Ciências particulares

A filosofia é o mais ato dos conhecimentos humanos.

As outras ciências estão a elas submetidas,enquanto a filosofia as julga,dirige e defende-lhe os princípios .

Filosofia e Teologia

A teologia,enquanto se deu a conhecer pela revelação esta acima da filosofia.

A filosofia está a ela submetida não em seus princípios nem em seu desenvolvimento,mas nas suas conclusões.

Deste modo,a teologia constitui uma regra negativa para a filosofia.

Filosofia e senso comum

A filosofia é superior ao senso comum,dado que esta é um conhecimento cientifico,enquanto aquele é um conhecimento vulgar.

Resumo 7#-Tratado de Filosofia-Tomo I (Lógica e Cosmologia)-Regis Jolivet-LOGICA MENOR(Parte 2)

 

 

INTRODUÇÃO –O QUE É LÓGICA

Art I-Noção de lógica

A.DEFINIÇÃO

-Lógica:de logos(grego)=>Razão

-Ciência das leis ideais do pensamento e a arte de aplica-las corretamente para procurar demonstrar a verdade.

1.LÓGICA COMO CIÊNCIA

A lógica é um sistema de conhecimentos certos baseados em princípios universais.

-Lógica filosófica x Lógica espontânea(Aptidão inata da inteligência)

 

2.A CIÊNCIA DAS LEIS IDEAIS DO PENSAMENTO

A Lógica define quais devem ser as operações intelectuais para satisfazer as exigências de um pensamento correto.

a)Lógica e psicologia:

A lógica fornece as regras de exercício e da validade das operações, enquanto a psicologia descreve as operações da inteligência viva,procedendo sobre os fatos e visando definir condições de existência.

b)Lógica e experiência

A lógica não é uma ciência experimental.

 

3.A LÓGICA COMO ARTE

A lógica atua como ciência normativa e arte.Tem por fim determinar as regras do pensamento verdadeiro ,diferente das ciências positivas.

A lógica é arte enquanto método que permite fazer bem uma obra,segundo certas regras.

 

4.O FIM DA LÓGICA:PROCURA E DEMONSTRAÇÃO DA VERDADE

-Oposição entre lógica e verdade:É possível julgar mal e raciocinar bem,tirando consequências legitimas de princípios falsos.

-Lógico é aquilo que é coerente,Verdadeiro é aquilo que esta conforme ao objeto.

-Em todo o erro há uma falta de lógica:só pode ser verdadeiramente lógico e correto aquilo que esta de acordo com a verdade.

 

5.O MITO DO ‘’PRÉ-LOGISMO’’

Alguns dizem que os primitivos teriam uma mentalidade estranha ou refratária a nossa lógica, ignorando o principio de não contradição.

Não há como falar em pré-logismo, pode-se falar de uma mentalidade primitiva e pré cientifica.

 

B.HISTÓRIA DA LÓGICA

1.ANTIGUIDADE GREGA

Aristóteles levou a lógica a um alto grau de perfeição,depois dele os estoicos se aplicaram no desenvolvimento da lógica puramente formal.

2.IDADE MÉDIA

Boécio e os escolásticos refinaram a lógica aristotélica,integrando nela as descobertas estoicas sobre o silogismo hipotético.

3.ÉPOCA MODERNA

Lógica simbólica de Leibniz e método de indução(Bacon e Stuart Mill).

4.ÉPOCA CONTEMPORÂNEA

Séc XIX,Estudos de lógica das preposições,se serve de um formalismo simbólico extremamente complexo.

Art.II- Importância da lógica

1.LÓGICA EMPÍRICA

Antes de qualquer formulação de leis do pensamento nós somos capazes de praticar instintivamente as diferentes operações lógicas.

 

2.UTILIDADE DA LÓGICA CIÊNTIFICA

a)Lógica e bom censo:Se o bom senso é sempre necessário,no entanto nem sempre é suficiente.A lógica é necessária para tornar a inteligência mais penetrante e para ajuda-la a justificar suas operações,permitindo recorrer a princípios que garantem a legitimidade delas.

b)Lógica e prática cientifica:Todas as faculdade do homem devem ser aperfeiçoadas pelo exercício.Assim também a faculdade de raciocinar deve ser cultivada e aperfeiçoada como as outras.

Art.III-Método e divisão da lógica

1.EXPERIENCIA COMPLEXA DO ASSENTIMENTO E NÃO-ASSENTIMENTO

O Ponto de partida da lógica cientifica consiste na experiência intelectual reconhecida como correta e válida.Isso pode ser entendido sob dois pontos de vista:

a)Experiência objetiva:O ato de ter algo por verdadeiro ou falso se apresenta como resultado do fato que a asserção que provamos está de acordo com experiências objetivas.Ex:O fogo queima.

b)Experiência lógica:Adesão a certas asserções por uma demonstração.

2.LÓGICA FORMAL X MATERIAL

A lógica menor trata de definir condições do pensamento coerente consigo mesmo.

A lógica maior trata da forma que o pensamento deve tomar atendendo aos diferentes objetos aos quais ele pode se aplicar.

 

LÓGICA MENOR

CAPÍTULO 1:SIMPLES APREENSÃO E TERMO

A lógica formal estabelece as condições de coerência do pensamento consigo mesmo.

O pensamento é composto de três operações intelectuais:

Apreensão:Concepção de uma ideia.

Juízo:Afirmação ou negação de uma relação entre duas ideias.

Raciocínio: operação pelo qual de dois ou mais juízos tira-se outro que deles decorre  necessariamente.

Para cada uma dessas operações há um correspondente na expressão verbal:

Para a apreensão,o termo.

Para o juízo a proposição.

Para o raciocínio,o argumento.

 

Art I.Definições

A.SIMPLES APREENSÃO E IDÉIA

1.APREENDER

Apreender é o ato pelo qual a inteligência concebe uma ideia,sem nada afirmar nem negar.

2.IDÉIA OU CONCEITO

É a simples representação determinada de um objeto sensível.Ex:Homem,triangulo,etc..

a)Conceito mental x conceito objetivo

Conceito mental é a coisa concebida enquanto concebida,aquilo pelo qual a inteligência conhece.

Conceito objetivo é aquilo que a inteligência conhece ,é o objeto conhecido enquanto objeto.

 

b)Ente real x ente de razão

Ente real:realizável.

Ente de razão:Pensável mais não realizável fora da inteligência.são as privações e as noções universais enquanto tais.

B.O TERMO

1.DEFINIÇÃO

Termo é a expressão verbal ou sinal da ideia.

Pode ser expresso por várias palavras significando uma única ideia lógica.

2.NOÇÃO DE SINAL

É toda a coisa que faz conhecer outra.

3.DIVISÃO DO SINAL

a)Sinal instrumental e sinal formal

Sinal instrumental:Aquele que conhecido primeiro leva a conhecer outra coisa.

Sinal formal:Semelhança do objeto na faculdade cognoscente.

 

C.SUPLÊNCIA(‘’SUPOSITIO’’)

Consiste em tomar um dos termos por um dos objetos que ele significa.

Art.II-Compreensão e Extensão

 A.DEFINIÇÃO E RELAÇÃO

Uma ideia pode ser considerada do ponto de vista da compreensão e da extensão;

Compreensão:Conjuntos componentes de elementos de uma ideia.É o conteúdo de uma ideia.

Extensão:Conjunto de sujeitos aos quais as ideias convém.

 A

 

Hierarquia das ideias e dos termos:É possível ordenar as ideias segundo uma categoria baseada em sua extensão.

Genêro:Toda ideia que contêm outras ideias gerais.É a ideia superior em extensão.

 

 

Espécie:Toda ideia que contêm apenas indivíduos. É ideia inferior em relação a primeira.

 

Individuo:Abaixo da espécie está o individuo,constituído metafisicamente por uma diferença numérica.Não podemos conhecer a diferença individual em si,somente por meio de notas individualizantes(forma,figura,tempo,família,país,nome).

 B

C

 

B.OS PREDICÁVEIS OU UNIVERSAIS

Predicáveis são os modos pelas quais uma coisa pode ser dita de um sujeito.

Há cinco predicáveis,fora destes não há outra maneira possível de atribuir o universal a um sujeito:

D

 

Natureza dos predicados

:Os predicados são somente modos de atribuição ,ou seja,entes de razão.

Problemas dos universais

Qual valor se deve atribuir aos universais?

Nominalistas radicais:Negam aos conceitos universais toda realidade objetiva e subjetiva.

Nominalistas moderados:O conceito universal é realidade na inteligência,mas nada corresponde na realidade.

Realistas moderados:O universal como tal só existe na inteligência mas representa uma natureza real objetiva sob uma forma abstrata e universal.

 

Graus metafísicos

E

 

C.OS PREDICAMENTOS OU CATEGORIAS

Diferem dos predicáveis por serem os próprios atributos e não simples modos de atribuição.São modos especiais sob os quais o ser pode existir,ou seja,o conjunto de gêneros supremos em que se distribui todo o real.

Substância x acidente

O ser pode ser substância (capaz de existir em si e não em outrem como sujeito) ou acidente(Capaz de existir apenas em outro como um sujeito).

Distinguem-se 9  nome espécies de acidentes:

Qualidade                Posição

Quantidade         Situação no tempo

Relação              o ter

Ação

Paixão

Localização

 

Acidente predicável e Acidente categórico

Acidente predicável:Se opõe ao próprio. Ex:A roupa com que Pedro se veste;

Acidente categórico:Se opõe a substancia,como uma propriedade.Ex:O rir atribuído ao homem.

 

D.ATRIBUIÇÃO POR SI (A PRIORI)

 F

 Modos de atribuição a priori

 G

 

Art III-Classificação das ideias e dos termos

Pode-se classificar as ideias tomados distintos pontos de vista:
1)Ponto de  vista da compreensão e  extensão.

2) Ponto de  vista das relações mutuas de ideias.

3) Ponto de  vista da perfeição das ideias

4)Ponto de vista do modo de significação

 

1)Ponto de  vista da compreensão e  extensão.

a)do ponto de vista da compreensão,podem ser:

I-SIMPLES OU COMPOSTAS:Conforme compreenda um ou mais elementos ou conforme seus elementos sejam apreendidos separadamente ou não.

II-CONCRETA OU ABSTRATA:Concreta se aplica-se a um sujeito ou qualidade do sujeito,Abstrata se aplica-se a natureza ou essência consideradas em si mesmas.

III-POSITIVA OU NEGATIVA:Positiva se exprime algo real e possível,Negativa se exprime negação ou privação.

IV-DIRETA OU REFLEXA:Direta se é resultado da consideração direita de algo(homem,sábio).Reflexa se é resultado de uma reflexão da inteligência sobre as próprias ideias.

b)Do ponto de vista da extensão podem ser:

I-IDÉIA SINGULAR:É a ideia que só pode ser aplicada a um único individuo.

II-IDÉIA PARTICULAR:É a ideia que se aplica de modo indeterminado a uma parte de uma espécie ou classe.

III-IDÉIA UNIVERSAL: É a ideia que convém a todos os indivíduos de um gênero ou espécie.

IV:CONCEITOS COLETIVOS(Se aplica a um grupo de indivíduos tomados no todo)  E DIVISIVOS(Se aplica a indivíduos tomado com tais).

 

2) Ponto de  vista das relações mutuas de ideias.

I-CONTRÁDITÓRIOS:Conceitos que um exclui o outro sem que haja meio termo possível entre eles.Ex:Branco e não branco,Ser e não ser.

II-CONTRÁRIOS: Conceitos que exprimem notas opostas em um mesmo gênero,há meio termo entre eles.Ex:Branco e preto,Avaro e prodígio.

III-PRIVATIVOS:Conceitos que negam alguma propriedade ou qualidade de um sujeito que normalmente a possui.Ex:Cego, em relação ao homem.

IV-RELATIVOS: Conceitos que exprimem uma ordem tal que um não pode dar-se sem outro.Ex:Pai e filho;Direita e esquerda.

 

3) Ponto de  vista da perfeição das ideias

I-IDÉIA ADQUADA E NÃO ADQUADA:Quando apresenta, ou não ,á inteligência,todos os elementos do objeto.

II- IDÉIA CLARA OU OBSCURA:Quando basta ou não para fazer reconhecer seu objeto entre outros objetos.

III- IDÉIA DISTINTA OU CONFUSA:Quando faz conhecer,ou não,os elementos que compõe seu objeto.

4)Ponto de vista do modo de significação

I-UNÍVOCO :Conceito que se pode atribuir de modo absolutamente idêntico a sujeitos diferentes.Ex:Conceito Homem se aplica univocamente a Pedro,a Paulo ,a João.

II-EQUÍVOCO: Conceito que só se aplica a sujeitos diversos em sentido totalmente diferente.

III-ANÁLOGO: Conceito que versa sobre realidades essencialmente diversas mas que tem alguma relação entre si.

 

Art IV- Definição e divisão das ideias e dos termos

A.Regra formal das ideias e dos termos

Em si mesma uma ideia não é nem verdadeira nem falsa.Ela é o que é e nada mais.

-Uma ideia pode ser contraditória.É contraditória a ideia que compreende elementos que se excluem entre si.Ex:Circulo-Quadrado.Ideias contraditórias são sempre confusas.

-Para evitar que nossas ideias sejam contraditórias é preciso defini-las e dividi-las.

 

 Definição

-Consiste em circunscrever exatamente a compreensão de um conceito.Dizer aquilo que uma coisa é.

Há diversas espécies de definição:

I-DEFINIÇÃO NOMINAL:É a que fixa o emprego de uma palavra.Não é definição em sentido estrito,pois não diz o que algo é.

II-DEFINIÇÃO REAL:É a que exprime a natureza da coisa.

Pode ser:

a)Essencial:Se faz pelo gênero próprio e pela diferença específica.Ex:Homem é animal racional.Animal=Gênero próximo  e Racional=Diferença específica.

b)Descritiva:Quando por falta de gênero próximo e diferença específica.Enumera as propriedades e características marcantes duma coisa para permitir distingui-la de outras.

c)Causal:Quando se refere a causa da coisa a definir.Seja a causa eficiente ou final.

 

Regras da definição

1)A definição deve ser mais clara do que o definido:Não deve conter o termo a definir,deve ser breve ,e não deve ser negativa(com exceção das privações e das realidades espirituais).

2)A definição deve convir a todo o definido e só ao definido:Não deve ser demasiada estreita e nem demasiada ampla.A definição ainda deve ser convertida do definido.

Ex:’’O homem é um animal racional’’ pode ser convertido a ‘’O animal racional é o homem’’.

 

Limites da definição

Há quatro casos que a definição é impossível e inútil.

1)Ideias extremamente simples.Ex:A ideia de ser,que não possui outra definição que ‘’aquilo que é’’.

2)Ideais extremamente gerais.Gêneros supremos que não possuem gênero próximo.

3)Entes individuais enquanto tais.

4)Dados experimentais como prazer,dor,luz,calor,etc..

 

A divisão

Dividir é distribuir o todo em suas partes.Há tantas espécies de divisão quanto de todo.

Espécies

Chama-se todo aquilo que pode ser resolvido fisicamente ou idealmente em vários elementos.

Há três espécies de todo:

I-Físico:É aquele cujas as partes são realmente distintas.Pode ser:

a)Quantitativo(integral):Composto de partes homogêneas(integrantes).Ex:um bloco de concreto.

b)Essencial:Quando forma uma essência completa.Ex:Homem

c)Potencial:Quando composto de diferentes potencias ou faculdades.Ex:Alma.

d)Acidental:Quando composto de partes unidade de fora.

II lógico:É aquele que as partes só se distinguem pela razão.Exprime uma noção universal que contêm em si outras.Ex:O gênero contêm as espécies,A ideia de metal em relação aos diversos metais.

III-Moral

É aquele cujas partes,atualmente distintas e separadas,estão unidas pelo laço moral de um mesmo fim:Exprime-se por um conceito coletivo.Ex:Nação,Exército,etc..

Regras de divisão

I-Deve ser completa ou adequada:Deve enumerar todos os componentes de que se compõe o todo.

II-Ser irredutível: Enumera elementos verdadeiramente distintos entre si,de modo que nenhum esteja compreendido no outro.

III-Ser baseada sobre o mesmo principio e,por conseguinte,proceder por membros verdadeiramente opostos entre si.

 

 

CAPÍTULO 2: O JUÍZO E A PROPOSIÇÃO

Art I-Definições

A.NOÇÃO DE JUÍZO

-Juízo é ‘’A afirmação de uma relação de conveniência e não conveniência entre dois conceitos.’’

-Todo juízo é composto de três termos:Sujeito,predicado(Aquilo que se afirma ou se nega do sujeto) e por um verbo cópula(Liga o sujeito ao predicado).

-O Sujeito e o objeto constituem a matéria do juízo e o verbo constitui a forma.

-Existem ainda os juízos de existência,compostos somente por sujeito e verbo.

Ex:Deus é.

Essência do juízo

O juízo consiste,essencialmente,no ato de afirmar ou de negar,por meio do verbo,quer a conveniência ou a não conveniência de dois conceitos.

-Diferencia-se da proposição simplesmente anunciativa,pois só há autentico juízo quando a inteligência se pronuncia sobre o verdadeiro e o falso.

Simplicidade e indivisibilidade do juízo

O juízo enquanto ato da inteligência é simples e indivisível.

-O ato de afirmar ou negar ,que é a essência do juízo é simples.

B.NOÇÃO DE PROPOSIÇÃO

-Proposição é o sinal ou expressão verbal do juízo.

-Também é composta de:

três termos:Sujeito,Predicado e verbo,( Proposições atributivas  )  ou

dois termos: Sujeito e verbo(Proposições existenciais)

 

Sujeito e predicado

 H

 

Verbo

Definição de Prisciano:’’É a parte da oração cuja função própria é significar a ação,em tempo e modo.

Definição de Aristóteles:O verbo se reduz a um nome que significa um conceito correspondente a ação enunciada pelo verbo.

Verbo copulativo e verbo existencial

Único verbo das proposições lógicas é o ver ser.

-No entanto,Esse verbo possuem duas funções diferentes do verbo:

a)Verbo copulativo:Serve para ligar um predicado a um sujeito.

Ex:’’O Homem é mortal.

b)Verbo Existencial:Põe a existência real de um sujeito.Ex:Deus é.

-O verbo copululativo e existencial são irredutíveis entre si.

 

Primado do ‘’esse’’ existencial

-A dualidade do verbo ‘’é’’ é desconfortável para a inteligência ,que procura sempre a unidade.Há portanto que se tentar encontrar esta unidade.

-Não é possível afirmar que a existência possível e a existência real possam ser pensadas por um conceito unívoco.

-O ente finito é composto de essência e de existência,de tal modo que a essência e existência,como princípios metafísicos,formam um só ente,uno e indiviso em si mesmo.

 

Toda lógica é predicativa

-Daí se chega que todo a lógica é predicativa ou de atribuição,não havendo lógica existencial.

Compreensão e extensão

-Todo juízo atributivo pode ser tomado do ponto de vista da compreensão e as extensão.

Ex:O homem é mortal.

‘’mortal’’ é um atributo de homem(Compreensão) e’’ homem’’ faz parte da classe mortal(Extensão).

-A formula para fixar a relaçao dos termos da proposição é construída do ponto de vista da compreensão :’’O predicado está no sujeito.’’ Ou ‘’O predicado pertence ao sujeito’’.

Art II espécies de juízos e proposições  

Os  juízos de atribuição e as proposições predicativas podem ser classificados do ponto de vista da cópula,da matéria,da qualidade e da quantidade.

A.PONTO-DE-VISTA DA FORMA(OU CÓPULA)

Proposições categóricas(Simples):Tem por parte dois conceitos ligados, afirmativamente ou negativamente, pela cópula ‘’é’’.

Ex:Pedro é cientista,O homem não é imortal.

Proposições hipotéticas(compostas):Têm por partes duas proposições reunida por outra cópula que não o verbo.

Ex:Se Pedro é trabalhador,passará nos exames.Ou é noite,Ou é dia.

 

 Tipos de Proposições hipotéticas

Abertamente compostas:

Proposições conjuntivas:Partes unidas por ‘’é’’ ou’’nem’’.As partes são V ou F conjuntamente.Ex:Os bons tornam-se pobres e os maus,ricos.

Proposições  disjuntivas:Parte unidas por ‘’ou’’.Enunciam uma alternativa que não admite meio termo.Ex:Ou é dia,ou é noite.

Proposições condicionais:Partes unidas por ‘’se’’.Enunciam a condição que depende de uma coisa.Ex:Se Pedro trabalhar,terá êxito.

Ocultamente compostas:

Exeptivas:Assinaladas por ‘’salvo’’ ou ‘’exceto’’.

Exclusivas: Assinaladas por ‘’só’’ ou ‘’somente’’.

Reduplicativas: Assinaladas por ‘’enquanto’’.

 

B.PONTO-DE-VISTA DA MATÉRIA

Juízos analíticos:Atributo é ou idêntico ao sujeito,ou essencial ao sujeito,ou próprio ao sujeito.

Ex:O homem é um animal racional,O homem é racional,O circulo é redondo.

Juízo sintético:Não exprime nada de essencial ao próprio ou ao sujeito.

Ex:Esse homem é velho.O Tempo está claro.

C.PONTO-DE-VISTA DA QUALIDADE

Proposição afirmativas e negativas:conforme seja de conveniência ou não conveniência a relação do atributo ao sujeito.

Proposições modais

 I

D.PONTO-DE-VISTA DA QUANTIDADE

J

Art III A oposição

A.PROPOSIÇÕES COM O MESMO SUJEITO E PREDICADO

As quatro proposições

Toda proposição tem ao mesmo tempo quantidade e qualidade.Pode-se distinguir quatro espécies de proposição com o mesmo sujeito e predicado:

Universal afirmativa(A):Sujeito é tomado em toda sua extensão,predicado é tomado apenas em parte da extensão.Ex:O homem é mortal.

Universal negativa(E):Sujeito e atributo são tomados em toda sua extensão.

Ex:O homem não é um anjo.

Particular afirmativa(I):Sujeito e predicado tomados em parte de sua extensão.

Ex:Algum homem é virtuoso.

Particular negativa(O): Sujeito é tomado em parte de sua extensão,predicado é tomado em toda sua extensão.Ex:Algum homem não é virtuoso.

 

As várias oposições

Tomada na relação mutua,as proposições podem diferir pela qualidade,quantidade,quer pelas duas ao mesmo tempo.

K

L

C.LEIS DAS OPOSIÇÕES

Leis das contraditórias:Duas contraditórias(A e O,E e I),não podem ser nem verdadeiras nem falsas ao mesmo tempo.Se uma é V a outra é necessariamente falsa.

Lei das contrárias:Duas proposições contrárias(A e E),não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo,Mais podem ser as duas falsas.

Lei das subcontrárias:Duas subcontrárias(I e O) não podem ser falsa ao mesmo tempo,mas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.

Lei das subalternas:Duas subalternas (A e I,E e O) podem ser verdadeiras ao mesmo tempo e falsas ao mesmo,podem ainda uma ser verdadeira e a outra falsa.

 

Oposição das proposições modais

M

Art. IV-Conversão das proposições

A conversão consiste em  traspor os termos de uma proposição sem modificar a qualidade.

Ex:Nenhum círculo é quadrado pode ser convertido em Nenhum quadrado é um círculo.

 Regra geral de conversão

N

Aplicações

a)A universal afirmativa(A) se converte numa particular afirmativa(I).A conversão não é recíproca(exceto para definições).

Ex:Todo homem é mortal convertido em algum homem é mortal.

b)A universal negativa(E),Converte-se simplesmente.É recíproca.

Ex:Nenhum homem é espírito puro convertido em Nenhum espírito puro é homem.

c)A particular afirmativa(I) também convertem-se simplesmente. É recíproca.

Ex:Algum homem é cientista Converte-se em algum cientista é homem.

d)A particular negativa (O) não pode ser convertida regularmente.

A conversão dos modais

O

 

CAPÍTULO 3: RACIOCÍNIO E O ARGUMENTO

Art I – Noções gerais

A.DEFINIÇÕES

O raciocínio:’’Operação pela qual a inteligência,de duas ou mais relações (Juízos)conhecidas,conclui outra relação que delas decorre logicamente.’’

Argumento:É a expressão verbal do raciocínio.

Consequência:É o encadeamento lógico das proposições que compõe um argumento.

Antecedente:Proposições de onde é tirada a conclusão.

Conclusão(Consequente):A proposição resultante do raciocínio.

P

Consequência e argumento

Q

B.DIVISÃO

O raciocínio consiste em parte do conhecido para encontrar o desconhecido.

Existe duas formas de raciocínio:

Raciocínio dedutivo:É um movimento do pensamento pelo qual se estabelece a verdade de uma proposição universal enquanto contida numa verdade universal da qual ela deriva.

Ex:

W

Raciocínio indutivo: É um movimento do pensamento pelo qual se passa de uma ou mais verdades singulares a uma verdade universal.

Ex:

X

Regras principais do raciocínio dedutivo

Relativo ao verdadeiro e ao falso

a)Do verdadeiro só se segue o verdadeiro

b)Do falso podem seguir-se o verdadeiro e o falso,

Relativo ao necessário e ao contingente

a)Do necessário só se segue o necessário

b)Do contingente podem seguir-se o contingente ou o necessário.

c)Do contingente não pode seguir-se o impossível

Relativo ao antecedente e ao contingente

a)Aquilo que concorda com o antecedente concorda com o consequente,mas não inversamente.

b) Aquilo que não concorda com o consequente,não pode concordar com o antecedente,mais não inversamente.

Art II-O Silogismo

Silogismo é um argumento pelo qual,dum antecedente,que une dois termos a um terceiro,tira-se um consequente,que une estes dois termos entre si.

Todo silogismo é composto de três proposições,na qual três termos são comparados dois a dois:

Termo maior(T),O termo de maior extensão

Termo menor(t)O termo de menor extensão

Termo médio(M),intermediário em extensão entre o T e t.

Ex:

Y

Análise do silogismo

Z

Princípios do silogismo

a)Princípio da compreensao(princípio metafísico):Duas coisas identicas a uma terceira são identicas entre si.

b)Princípio da extensão (princípio lógico):Tudo o que é afirmado ou negado  universalmente de um sujeito é afirmado ou negado de todo o contido nesse sujeito.

Ex:Se se afirma que a virtude é amavél,se afirma que todo a virtude é amável.

A.AS OITO REGRAS DO SILOGISMO

AA

B.REDUÇÃO DAS REGRAS

Estas oito regras podem ser reduzidas a três principais regras:

1)Primeira regra-O silogismo não deve ter mais de três termos:

Isto pode ocorrer de três modos:

a)Dando ao termo médio duas extensões (dois signficados):

Ex:

BB

b)Tomando o termo médio particularmente duas vezes:

CC

c)Dando ao termo maior ou ao menor uma extensão maior na conclusão que nas premissas:

DD

2)Segunda regra:De duas premissas particulares nada se afirma.

 

FIGURAS DO SILOGISMO

A.NOÇÃO E REGRAS DAS FIGURAS

A figura do silogismo resulta do lugar do termo médio nas premissas,levando em conta c)Dando ao termo maior ou ao menor uma extensão maior na conclusão que nas premissas:

se este é sujeito ou predicado nas premissas.

Existem então quatro possibilidades, descrita pelo seguinte mnemônico em latim:

Sub-prae,Tum prae-prae,Tum sub-sub,denique prae-sub.

1)Primeira figura (Sub-prae):O termo médio é sujeito na maior e predicado na menor.

EE

Regra:A menor deve ser afirmativa e a maior universal.

 

2)Segunda figura(Prae-prae):O termo médio é predicado nas duas premissas.

FF

Regra:Uma das premissas deve ser negativa e a maior deve ser universal.

 

3)Terceira figura(Sub-sub):O médio é sujeito nas duas premissas:

GG

Regra:A menor deve ser afirmativa e a conclusão particular.

4)Quarta figura(Prae-sub):O médio é predicado na maior e sujeito na menor.

HH

Esta figura,chamada também de figura galenica é uma forma indireta da primeira figura.

B.VALOR RELATIVO DAS DIVERSAS FIGURAS

Embora todos as figuras sejam válidas,os da primeira figura dá silogismos perfeitos,pois são extremamente claros e os termos são colocados em sua ordem natural,enquanto nas outras figuras é necessário um certo esforço para apreender o encadeamento dos termos.

Redução à primeira figura

Este silogismo da segunda figura

II

Pode ser convertido a esse silogismo da primeira figura:

JJ

E esse silogismo da terceira figura:

KK

Pode ser convertido a esse silogismo da primeira figura:

LL

MODOS DO SILOGISMO

Definição e divisão

MM

Modos legítimos

Porém,grande parte dos 64 modos possíveis ferem alguma ou algumas das regras do silogismo.

Apenas 19 modos dos 64 são legítimos.Designa-se esses modos por palavras latinas de três silabas,de modo que:

A vogal da primeira sílaba:Indica a natureza da maior.

Vogal da segunda sílaba:Indica a natureza da menor.

Vogal da terceira sílaba:Indica a natureza da conclusão

NN

ESPÉCIES DE SILOGISMO

Há duas espécies de silogismo:O categórico e o hipotético

Silogismo categórico:É aquele em que a maior afirma ou nega,pura e simplesmente.

Silogismo hipotético:Enuncia na maior,uma hipótese,e na menor,afirma ou nega um dos membros da hipótese.

Silogismo de exposição

Possui apenas forma material do silogismo.Apenas expõe sucessivamente os elementos duma verdade complexa,não constituindo uma demonstração.No silogismo categórico real,o termo médio é universal,enquanto no silogismo de exposição é singular.

Ex:

OO

Formas de silogismo hipotético

a)Silogismo condicional:a Maior é composta de duas proposições,em que uma antecedente,enuncia a condição da consequente.

Regras:

PP

b)Silogismo disjuntivo:A maior enuncia uma disjunção completa,tal que os termos sejam contraditórios.

QQ

Regra:A disjunção deve ser verdadeiramente completa,ou seja,os membros devem ser verdadeiramente contraditórios.

c)Silogismo conjuntivo:A maior declara que dois predicados não podem ser afirmados simultaneamente do mesmo sujeito.

Ex:

WW

Regra:

WW

Redução

YY

Silogismo hipotético e silogismo categórico

É possível reduzir um silogismo hipotético o categórico desde que o antecedente e o consequente tenham o mesmo sujeito.

SILOGISMOS INCOMPLETOS E COMPOSTOS

Entinema:É o silogismo que tem uma das premissas subentendida.

Ex:

ZZ

EPIQUEREMA:Nesse silogismo,uma ou ambas as premissas são seguidas de provas.

Ex:

AAA

Polissilogismo:Constituído de uma cadeia de silogismos,onde a conclusão de um serve de premissa ao seguinte,ou de menor para o silogismo seguinte.

Ex:

BBB

CCC

Sorites:É uma sequência de proposições encadeada de modo que o atributo da primeira serve de sujeito a segunda,o atributo da segunda serve de sujeito a terceira e assim por diante.

Ex:

FFF

Dilema:É um argumento que prende o adversário a uma alternativa,em que cada uma das partes leva a mesma conclusão.

Regra:Para ser válido deve apresentar na maior uma disjunção completa,considerando todos os casos,e tirar deles uma consequência legitima.

Ex:

DDD

Art III-indução

Definição:Raciocínio pelo qual a inteligência,de dados suficientemente enumerados,infere uma verdade universal.

Ex:

1

Princípios da indução

principio da indução

Indução x Dedução

deduçãoxindução