Resumo #11-Perihermenias/De interpretatione- Aristóteles (Parte 1)

 

INTRODUÇÃO

‘’A obra contém as principais considerações da teoria Aristotélica a respeito do significado e da verdade, ponto de partida para a semântica terminista medieval.

Algumas ideias são as seguintes:

  1. Um nome (substantivo) e um verbo são requisitos necessários para fazer uma sentença (o que Boécio chama de oratio).Nem toda sentença é uma proposição (oratio enuntiativa), visto que as súplicas são sentenças,mas não formam proposição.

 

 Somente é proposição o que comporta verdade e falsidade (enuntiativa vero non omnis sed in qua verum vel falsum inest). Boécio usa apenas uma a palavra “propositio” para o que Edghill traduz como “a admissão de uma premissa”  No entanto, escritores posteriores como Ockham preferiam o termo proposição”, que é o ancestral de nossa “proposição” moderna.

2. Palavras faladas são sinais de modificações mentais (Boécio: notae passionum animae – literalmente paixões ou modificações da alma). Embora os sinais não sejam necessariamente os mesmos (ou seja, se os idiomas escritos ou falados forem diferentes), essas modificações são as mesmas em todas as pessoas (eaedem omnibus passiones animae sunt). Mais tarde desenvolveu-se a ideia, defendida por Ockham e Buridan e outros, de que as proposições faladas, isto é, as sentenças, representam proposições mentais das quais são os sinais exteriores.

3. Sinais universais são por natureza predicados de muitos. A fórmula latina universale quod in pluribus natum est praedicari,  foi repetida por escritores de tratados lógicos como Pedro da Espanha e centenas de outros desde então.

4. Uma afirmação é uma declaração de algo sobre algo (affirmatio vero est enuntiatio alicuius de aliquo), uma negação é uma declaração de algo sobre algo (negatio vero enuntiatio alicuius ab aliquo).

A formula latina reflete nitidamente o grego, onde a diferença entre uma afirmação “positiva” e negação “negativa” é expressa simplesmente por preposições.

Afirmação (kataphasis) é apophanis tinos kata tinos, (algo de algo) e negação (apophasis) é apophansis tinos apo tinos. ‘Nego’ em latim significa negar.

5 . Toda afirmação tem uma negação oposta e, do mesmo modo, toda negação tem uma  afirmação oposta (omni affirmationi est negatio opposita et omni negationi affirmatio). É a  base do conhecido  “quadrado de oposições”.

6.  A distinção entre proposições singulares e gerais.

7.  A ideia de negação de amplo escopo ou  sentença’. Aristóteles diz que uma negação deve negar exatamente o que afirma a afirmação (idem oportet negare negationem quod affirmavit affirmatio).

8. Quando se trata do que é ou do já ocorreu,A afirmação ou negação devem ser verdadeiras ou falsas. (In his ergo quae sunt et facta sunt necesse est affirmationem vel negationem veram vel falsam esse). Isso leva ao famoso quebra-cabeça que nada existe ou acontece por acaso. Qualquer coisa que aconteça amanhã, É verdadeiro dizer que acontece amanhã. Mas se verdadeiro, por exemplo, que uma batalha naval (navale bellum) acontecerá amanhã, isso sugere que isso é inevitavelmente verdadeiro, e que futuro acontecerá por necessidade.[ …]

Adaptado de ‘’ Authors/Aristotle/Perihermenias.”  – The Logic Museum, 20171 (Tradução nossa)

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

[1] Authors/Aristotle/Perihermenias.”  - The Logic Museum, 2017, www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Aristotle/perihermenias.


[2] Aristotle, Johann Theophilus ; Buhle, & Bipontina, Societas (1791). _[Aristoteles] Aristotelis Opera Omnia Graece_. Ex Typographia Societatis.



 

 

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Sites e links úteis

 

Apresento aos caríssimos leitores do blog alguns sites interessantes para aqueles que tem gosto ou curiosidade de aprender um pouco de filosofia.

  1. Philosophy Index

”Philosophy index é um site dedicado ao estudo da filosofia e dos filósofos. O site contém vários textos de filosofia, breves biografias e introduções a filósofos e explicações sobre vários tópicos.”

2.  The Internet Encyclopedia of Philosophy (IEP)

Fundada em 1995 para fornecer acesso aberto a informações detalhadas, acadêmicas e revisadas por pares sobre tópicos e filósofos importantes em todas as áreas da filosofia.

A Enciclopédia é gratuita e está disponível para todos os usuários da Internet em todo o mundo.

3. Stanford Encyclopedia of Philosophy

A Enciclopédia de Filosofia de Stanford organiza acadêmicos de todo o mundo em filosofia e disciplinas afins para criar e manter um trabalho de referência atualizado.

4. Logic Museum

Site dedicado a história da lógica.O site ainda está em construção, mas inclui textos on-line não disponíveis em outros lugares, links para outros históricos de sites de lógica e uma página de discussão.

5.  CORPUS THOMISTICUM

Compilado de obras de Santo Tomás de Aquino.

6. Conimbricenses

Uma plataforma digital sobre a historia da Filosofia e Teologia em Coimbra. Contém acervo de obras de autores como Pedro da Fonseca e outros.

 

Resumo #10-Isagoge-Porfírio(Parte 6)

SOBRE O ACIDENTE

Acidente é o que pode estar presente ou ausente sem a destruição do sujeito.

O acidente é divido em:

a) Acidente separável

Ex: Dormir.

b) Acidente não separável

Ex: A cor negra de um corvo. Mesmo que,por algum motivo,exista um corvo de cor branca,este poderá ser imaginado sem a corrupção do sujeito.

 

 

Definição de acidente

 

Acidente pode ser definido assim:

1) Aquilo que pode estar presente e ausente em algo.

2)O que não é nem gênero ,nem diferença,nem espécie ,nem próprio,mas é sempre inerente ao sujeito.

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

[1]  PAIVA, G. B. V. de . Tradução do texto grego de: PORPHYRIUS, Isagoge. Ed. Busse, 1887

[2] ARISTOTLE, & PACE, G. (1967). Aristotlelous Organon = Aristotelis Stagiritae peripateticorum principis organum : hoc est, libri omnes ad Logicam pertinentes, Graece et Latine. Frankfurt/Main, Minerva

[3] Authors/Porphyry/isagoge/parallel

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge/parallel

Online, 19/01/2019 às 15:46


[4] Authors/Porphyry/isagoge/

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge

Online, 29/01/2019 às 15:49

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SOBRE A DIFERENÇA

A diferença por ser dita comumente, propriamente e mais propriamente.

a) Comumente : Ocorre quando uma coisa se difere de outra devido a uma alteridade,em si ou em outra.

Ex: Sócrates difere de Platão desde modo. Sócrates criança e adulto diferem da mesma maneira.

b) Propriamente: Quando uma coisa se difere de outra em um acidente inseparável, se diz que se difere propriamente.

Ex: Acidentes inseparáveis são, por exemplo, olhos verdes e nariz adunco.

c) Mais propriamente: Se uma coisa se separa de outra devido a uma diferença especifica, se afirma que se difere mais propriamente.

Ex: O homem se difere do cavalo por uma diferença especifica: A razão.

O homem pertence ao gênero animal, do mesmo modo o cavalo, mas por meio da racionalidade este se afasta drasticamente dos equinos.

Diferença ditas simplesmente e diferenças específicas

Geralmente, toda diferença adicionada a algo torna esta coisa alterada. A diferença dita comumente ou propriamente torna algo mudado. A diferença dita mais propriamente faz de uma coisa se tornar outra.

Assim, algumas das diferenças mudam algo, outras tornam este algo em outro.

As diferenças que mudam algo são chamadas simplesmente de diferenças, e as que o tornam outro são designadas pelo nome de especificas.

Ex: A diferença de racional, quando atribuída ao animal o torna outro, no caso, o homem. Aqui temos um caso de diferença especifica dita de modo mais propriamente.

De outro modo, ao adicionarmos como diferença a capacidade de se mover, decorrerá daí apenas mudança em relação a um animal em repouso. Neste caso, podemos nos referir simplesmente a diferença.

As diferenças específicas geram as divisões dos gêneros e espécies, e apresentam as definições ,que são dada pelos gêneros mais próximos e pelas diferenças especificas.

As diferenças ditas simplesmente criam somente alteridades, não entrando na definição.

Divisões separáveis e não separáveis

As divisões podem ser:
a) Separáveis: Como por exemplo,a capacidade de movimento,repouso,a saúde e a doença e outras desta natureza.

b) Não separáveis: Como por exemplo,ser racional ou irracional.

Divisões inseparáveis que diferem por si ou por acidente

As inseparáveis podem ainda ser classificadas em diferenças que pertencem por si e diferenças acidentais.

As diferenças que pertencem por si o tornam outro,e as diferenças por acidente o tornam apenas mudado.

Ex: O racional e o mortal pertencem por si ao homem, enquanto o nariz adunco ou chato pertence por acidente.

Propriedades das que diferem por si

‘’Os que diferem por si não comportam mais ou menos’’

Propriedades das que diferem por acidente

‘’Os que diferem por acidente comportam mais ou menos’’

Diferenças divisoras e constitutivas

A diferença comporta ainda mais um classificação.É possível distinguir dois tipos de diferenças:

a) Diferenças que dividem os gêneros em espécies (Divisoras)

Ex: Racional e irracional, como mortal e imortal são diferenças que dividem os gêneros em espécies.

b) Diferenças que especificam o que foi divido (Constitutivas)

Ex: Ser animado e capaz de sentir é diferença constitutiva da substancia do animal.

Definições de diferença

Diferença é:

  1. Aquilo que pelo qual a espécie supera o gênero.

Ex:O homem,por possuir a racionalidade,supera o gênero animal.

2. O que é predicado de muitas coisas que diferem em espécie em resposta ao como é.

4. É aquilo naturalmente apto a separar os que estão no mesmo gênero.

Ex:O racional separa o homem do cavalo.

4. É aquilo pelo qual cada um difere.

5. É o que esta conjugada a espécie,e o que era ser de algo.

 

BIBLIOGRAFIA

[1]  PAIVA, G. B. V. de . Tradução do texto grego de: PORPHYRIUS, Isagoge. Ed. Busse, 1887

[2] ARISTOTLE, & PACE, G. (1967). Aristotlelous Organon = Aristotelis Stagiritae peripateticorum principis organum : hoc est, libri omnes ad Logicam pertinentes, Graece et Latine. Frankfurt/Main, Minerva

[3] Authors/Porphyry/isagoge/parallel

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge/parallel

Online, 19/01/2019 às 15:46


[4] Authors/Porphyry/isagoge/

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge

Online, 29/01/2019 às 15:49

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Resumo #9-Categorias(Categoriae vel Praedicamenta)-Aristóteles-Parte 7(Final)-O movimento/O ter

 

XIV-O movimento

Há seis espécies de movimento:

Geração;

Corrupção;

Aumento;

Diminuição;

Alteração;

Mudança de lugar;

Todos estes tipos de movimentos são distintos uns dos outros,com exceção da alteração.

Aparentemente, a alteração implica necessariamente os outros tipos de movimento.

Isso é falso, pois, uma afecção produz uma alteração num corpo sem necessariamente produzir aumento,diminuição,ou o que quer que seja.

A mudança admite contrários

De modo geral, o contrário da mudança é a inércia.Porém,cada tipo de movimento comporta um contrário próprio.

A geração é contrária a corrupção,a diminuição ao aumento,e a mudança de lugar ao repouso.

XV-O ter

O verbo ter pode ser compreendido por diversos pontos de vista:

a) hábito, disposição e qualidade.

Ex:Ter um conhecimento ou virtude.

 

b) quantidade

Ex: Um homem tem uma certa altura.

 

c) Quanto ao que se diz a respeito do vestuário.

Ex:O homem tem um casaco.A mulher usa um colar.

 

d)Quanto ao que dizemos que temos como parte do nosso corpo.

Ex: O homem tem dois braços e duas pernas.

 

e)Quanto a possessão.

Ex: Um individuo tem um casa.

 

BIBLIOGRAFIA

ARISTOTELES. Organon, v. 1 (Trad. Pinharanda Gomes). 1ª edição.Lisboa:Guimarães editores LTDA,1985

"Aristotle/praedicamenta/boethius"
http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Aristotle/praedicamenta/boethius
Online, 09/01/2019 às 21:46

Resumo #9-Categorias(Categoriae vel Praedicamenta)-Aristóteles-Parte 2-A quantidade

VI-A quantidade

A quantidade pode ser classificada em contínua e discreta.

Quantidade contínua(continuum) é aquela que assume qualquer valor em uma reta real,Como exemplo, temos o número e a oração.

Quantidade discreta(discretum)  é aquela que só pode assumir alguns valores,como exemplo ,temos a linha,a superfície e o sólido.

Algumas quantidades são formadas por partes que tem uma posição relativa em relação a outras partes, enquanto outras não mantêm uma posição relativa entre as partes.

Quantidade discreta

  • Não há um limite comum em que as partes de um número se possa unir.

Ex: Cinco e cinco fazem dez,mas estes dois cincos não tem um limite comum:Eles estão separados,as partes permanecem distintas umas das outras,por não haver um limite comum entre estas as partes.

Por este motivo, o número é uma quantidade discreta.

O mesmo vale para oração, pois não há um limite comum á união das sílabas, permanecendo cada uma distinta das demais.

Quantidade contínua

A linha é uma quantidade contínua, dado que possui um limite comum: o ponto.

Do mesmo modo, o plano possui por limite comum a linha, e o sólido possui o plano ou a linha por limite comum.

O tempo também é uma quantidade contínua. Passado, presente e futuro formam um todo contínuo.

O espaço também se inclui nesta classe de quantidades, visto que possui limite comum, que são os mesmo do sólido.

  • Existem quantidades que possuem partes que têm posição relativa e quantidade que não possuem partes.

Ex: As partes de uma linha tem uma posição relativa a outras partes, de modo que podemos distinguir a posição de cada uma.O mesmo é verdadeiro para o sólido e para o plano.

No entanto,no caso dos números não é possível constatar a posição relativa e declarar quais partes são contíguas.O mesmo ocorre no caso do tempo,pois nenhum instante possui uma existência permanente.

Tanto os números quanto o tempo possuem uma sucessão ou ordem relativa, visto que cada número ou instante são anteriores uns aos outros.

  • Distingui-se quantidade por essência de qualidade por acidente

 

As categorias de quantidade que vimos anteriormente são as únicas que pertencem propriamente a categoria de quantidade.Tudo o mais que assim se apresentar será somente por acidente.

Ex: O branco é grande. Queremos dizer com isso que, a superfície do objeto que possui a cor branca é grande.

Outro exemplo:Se falarmos que determinada ação é longa,queremos dizer que o tempo que se leva para realizar tal ação é longo.

 PROPRIEDADES DA QUANTIDADE  

1 ) A quantidade não tem contrário.

Ex: Dois côvados não têm contrário.

Pode-se argumentar que muito é contrário de pouco.

No entanto, Muito e pouco, grande e pequeno, expressam relações e não quantidade.

Em si mesma,uma coisa não pode ser considerada grande ou pequena,somente em relação a outra coisa é que se pode afirmar que algo é grande ou pequeno.

2)A quantidade não é susceptível de receber mais ou menos

Ex:Dois côvados de comprimento não podem ser mais ou menos que dois côvados.O número três não pode ser maior ou menor do que outro número três.

No entanto, podemos afirmar que uma quantidade é igual ou desigual à outra.

Ex: O número três é igual a outro três, mas diferente de um cinco.

 

 

 

Bibliografia

ARISTOTELES. Organon, v. 1 (Trad. Pinharanda Gomes).1ª edição.Lisboa:Guimarães editores LTDA,1985

"Aristotle/praedicamenta/boethius"
http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Aristotle/praedicamenta/boethius
Online, 09/01/2019 às 21:46