Resumo #10-Isagoge-Porfírio(Parte 3)

 

 

SOBRE A ESPÉCIE

A espécie é entendida em duas acepções:

a) É aquilo que é predicado de toda forma

b) É o que está sob certo gênero,como quando dizemos que o homem é uma espécie de animal,sendo animal o gênero.

Portanto, a espécie pode ser defina como:

Aquilo que se coloca sob o gênero e da qual o gênero é predicado de algo

ou

O que é predicado de muitas coisas que diferem em número, em resposta ao o que uma coisa é.

Esta ultima definição se refere as especialíssimas,ou o que é somente espécie.As demais definições se referem a não especialíssimas.

Generalíssimos e especialíssimos

Em todos os predicados existem generalíssimos e especialíssimos,além de gêneros e espécies intermediárias.

O generalíssimo é o gênero sobre o qual não pode haver outro gênero. Acima do generalíssimo não há nenhum gênero. Este será é somente gênero,nunca espécie.

O generalíssimo é assim definido:

Aquilo que, sendo gênero, não é espécie, e sobre o qual não há gênero superior.

Ex: A substância é um gênero supremo. Acima dela não há nenhum outro gênero,e abaixo dela há outros gêneros e espécies .

A especialíssima é a espécie sob a qual não pode haver nenhuma espécie. Abaixo da especialíssima não há nenhuma espécie.Ela é somente espécie,e nunca gênero.

A especialíssima é definida como:

Aquilo que, sendo espécie, não é gênero,e o que se predica de coisas diferentes em número,segundo o que uma coisa é.

Ex: A espécie homem. Abaixo dela não há nenhuma outra espécie,somente indivíduos.

Aquilo que não é nem generalíssima, nem especialíssima,estará no meio entre estes extremos.Deste modo,o intermediário será a espécie do seu anterior, e gênero do seu posterior.

A generalíssima e a especialíssima possuem somente uma relação,um com seu posterior e outro com o anterior, respectivamente.

Gêneros e espécies subalternas

Os intermediários, dos quais falamos acima, serão gêneros e espécies subalternas.Estes são aqueles que,anteriores a especialíssima, ascendem até a generalíssima.

No que se refere aos gêneros e espécies isto não se dá ,pois o ser não é gênero comum a todas as coisas,nem todas as coisas são de um mesmo gênero com relação a um gênero supremo.

Do que foi exposta acima, decorre que podemos chamar as coisas de seres somente de modo equívoco, de modo que, a comunidade de seres está somente no nome,e não na definição.

Dos números dos generalíssimos,especialíssimas e indivíduos

São dez os generalíssimos.O numero das especialíssimas seguramente é menor que o infinito,e o número dos indivíduos é virtualmente infinito.

Ao descer dos generalíssimos em direção as especialíssimas , se procede dividindo a multidão por meio de diferenças específicas,pois os indivíduos particulares dividem o um em uma multidão.

Do contrário, ao  subir das especialíssimas ao  generalíssimos, reuni-se a multidão em um,pois as espécies e os gêneros reúnem a multidão.

Podemos resumir toda esta discussão em apenas uma frase:

O individual sempre divide, o coletivo sempre une.

 

Predicação da espécie e do gênero

  1. O gênero é sempre predicado das espécies, mas as espécies nem sempre se predicam do seu gênero.

É necessário que o que é igual seja predicado seu semelhante, e o que é maior, seja predicado do menor.

Ex: Podemos dizer que o homem é um animal, mas nunca que o animal é um homem.

2. Das coisas que a espécie é predicada, elas se predicarão necessariamente do gênero do gênero, do gênero da espécie, chegando por fim ao generalíssimo.

Ex: Sócrates é homem, o homem é um animal, e o animal é uma substância. Deste modo, podemos seguramente dizer que Sócrates é uma substância e um animal.

Os superiores são sempre predicados dos inferiores, portanto:

a) A espécie é predicada do indivíduo.

b) O gênero é predicado da espécie e do individuo.

c) O generalíssimo é predicado de todas as espécies,gêneros e indivíduos que estão sob ele.

d) O gênero antes da especialíssima é predicado de acordo com as especialíssimas e com o individuo.

e) O individuo só se predica de um particular

O indivíduo

Os indivíduos são compostos de propriedades únicas. As propriedades de certo indivíduo nunca serão iguais as de outro. As propriedades do homem,enquanto espécie,são comuns a todos os homens individuais.

 

BIBLIOGRAFIA

[1] PAIVA, G. B. V. de . Tradução do texto grego de: PORPHYRIUS, Isagoge. Ed. Busse, 1887

[2] Authors/Porphyry/isagoge/parallel

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge/parallel

Online, 19/01/2019 às 15:46

[3] Authors/Porphyry/isagoge/

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge

Online, 29/01/2019 às 15:49

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SOBRE O GÊNERO

O gênero e a espécie não são ditos simplesmente.

Podemos falar de gênero em três acepções distintas.

Gênero é :

a) Uma coleção de coisas que mantêm algo de relativo ente uns e outros.

Ex: O gênero dos hercúleos se dá a partir de Hercules e de outros que mantém relação de parentesco com ele.

b)O princípio da geração de cada um.

Ex: Orestes tem seu gênero a partir de Tântalo, ateniense é o gênero de Platão.

c) Aquilo sob o qual é colocada a espécie,ou aquilo sob o qual a espécie está sujeita,de modo que o gênero contem a multidão de seres que estão abaixo de si.

Interessa aos filósofos, sobretudo a última acepção, que descreve que o gênero é aquilo que é predicado de muitas coisas, que se diferenciam em espécies.

Diferenças entre o gênero e demais predicáveis 

Os predicáveis podem ser afirmados de um ou de muitos.

Dos afirmados somente de um,temos o indíviduo.

Dos afirmados de muitos,temos o gênero,a espécie,as diferenças,o próprio e o acidente.

Cabe agora, ver de que maneira o gênero se diferencia dos demais predicáveis. Já vimos que o gênero se distingue do individuo,pois este é afirmado de muitos,enquanto o indivíduo se afirma de um só.Resta agora,considerar a diferença entre o gênero e os demais predicados que se afirmam de muitos.

Gênero e espécie

Embora a espécie seja um predicável afirmado de muitos,ela se distingue destes,pois,a espécie se predica das coisas que diferem não em espécie,mas em número.

Ex: O homem se predica de Socrates,Platão,etc.Não por uma diferença de espécie,mas somente uma diferença numérica.

Por outro lado,o gênero é predicado de diferentes espécies, e não somente por uma diferença numérica.

Ex: O Gênero animal é predicado de homem, boi,cavalo,etc.

Gênero e próprio

O gênero difere do próprio ,pois o gênero é predicado de várias espécies,enquanto,o próprio é predicado somente da espécie da qual é próprio.

Ex:A propriedade de rir é predicada somente da espécie homem.

Gênero, diferença e acidentes

A diferença e os acidentes se diferenciam do gênero pelo fato destes predicáveis não se predicam do que é,e sim do como é.

Ex: Se perguntarmos como o homem é,responderemos racional (diferença),ou ainda,podemos dizer dele uma diferença (o homem é branco).

Slide1

BIBLIOGRAFIA

[1] PAIVA, G. B. V. de . Tradução do texto grego de: PORPHYRIUS, Isagoge. Ed. Busse, 1887

[2] Authors/Porphyry/isagoge/parallel

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge/parallel  

Online, 19/01/2019 às 15:46

[3] Authors/Porphyry/isagoge/

http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge

Online, 29/01/2019 às 15:49

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CategoriasPorphyry

ISAGOGE – INTRODUÇÃO AS CATEGORIAS DE ARISTÓTELES

Isagoge ou introdução às Categorias de Aristóteles foi um livro-texto padrão sobre lógica por mais de mil anos após a morte do filosofo, no terceiro século, e foi um dos seis livros do Ars Vetus ou corpo de escritos sobre a lógica aristotélica que sobreviveu no ocidente latino durante a idade das trevas e início da Idade Média, antes de outros livros de Aristóteles ser recuperados. Foi composto por Porfírio em grego na Sicília durante os anos 268-270, e enviado para Crisaório, de acordo com os comentaristas Ammonius, Elias e David.

A obra inclui uma classificação hierárquica (a árvore de pórfirio) de gêneros e espécies,indo do gênero mais geral até as espécies e indivíduos mais específicos, e uma introdução que menciona o problema dos universais.

A tradução de Boécio da obra, em latim, tornou-se um manual medieval padrão nas escolas e universidades europeias. Muitos escritores, como o próprio Boécio, Averróis, Abelardo e Scotus, escreveram comentários sobre o livro. Outros escritores, como Alberto da Saxônia e William de Ockham, incorporaram-nos em seus livros didáticos sobre lógica.

A primeira tradução latina, não mais existente, foi feita por Marius Victorinus no quarto século. Boécio a utilizou em sua própria tradução. A mais antiga tradução siríaca conhecida foi feita no século VII por Atanásio de Balad. Há também uma tradução armênia antiga. A Introdução foi traduzida para o árabe por Ibn al-Muqaffa,utilizando como base uma versão siríaca. Com o nome em árabe de ‘’Isaghuji’’, foi durante muito tempo um texto padrão de lógica introdutória no mundo muçulmano, e influenciou o estudo da teologia, filosofia, gramática e jurisprudência.

A obra  versa sobre os predicáveis (em latim Praedicabilis, aquilo que pode ser declarado ou afirmado), também conhecidos como quinque voces. Os predicáveis ​​são uma classificação das possíveis relações nas quais um predicado pode se colocar em seu sujeito, com base na classificação original dada por Aristóteles nos Tópicos (iv. 101 b 17-25):

Definição (horos), gênero (genos), diferença (diaphora), propriedade (idion), acidente (sumbebekos).

Na classificação escolástica, as espécies (eidos) substituem a definição (horos).

A obra é celebrada por estimular o debate medieval sobre a questão dos universais.

Porfírio escreve:

‘’Por ora, me negarei naturalmente a dizer, com relação a gêneros e espécies, se subsistem, se são conceitos puros, isolados, e se subsistentes, são corpóreos ou incorpóreos, ou se estão separados de ou em objetos sensíveis e outros assuntos relacionados. Esse tipo de problema é demasiadamente profundo, e requer uma investigação mais extensa. ’’

Embora ele não tenha mencionado mais o problema, sua formulação constitui a parte mais influente de sua obra, pois foram essas questões que formaram a base dos debates medievais sobre o problema dos universais. Os universais existem na mente ou na realidade? Se existem na realidade, são coisas físicas ou não? Se são físico, eles têm uma existência separada dos corpos físicos ou são parte deles?

‘’The Isagoge or “Introduction” to Aristotle’s Categories (LOGIC MUSEUM,2019)’’-TRADUÇÃO NOSSA

 

BIBLIOGRAFIA

1) Authors/Porphyry/isagoge/parallel
http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge/parallel
Online, 19/01/2019 às 15:46

2) Authors/Porphyry/isagoge/
http://www.logicmuseum.com/wiki/Authors/Porphyry/isagoge
Online, 29/01/2019 às 15:49